O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 12/11/2020
Na obra O Mito da Beleza, Naomi Wolf retrata o desenvolvimento da sociedade e da criação de um padrão estético que se tornou inerente à mesma com o passar dos anos. Evidentemente as críticas presentes no livro traduzem a realidade da maioria da população que encontra nos meios midiáticos apenas representações de um corpo padronizado e muitas vezes tenta se encaixar nesse padrão em detrimento da própria saúde.
Primeiramente, destaca-se que o desenvolvimento do padrão de beleza é algo que acompanha o ser humano desde o período Paleolítico, quando os homens mais fortes se diferenciavam dos demais com adornos de garras e dentes e as mulheres tinham a obesidade como ideal estético por representar fertilidade e disponibilidade de recursos. Desde então, ainda que sofrendo muitas mudanças, o padrão estético se desenvolveu juntamente da civilização e, hoje em dia, evidencia-se representado em propagandas, redes sociais, jornais e revistas, afetando diretamente o senso comum e padronizando o ideal de beleza de toda a sociedade. Por conseguinte, a auto-estima e saúde mental da população é prejudicada, como comprova a pesquisa da Dove que, em 2018, indicou que apenas 4% de todas as mulheres se definem como belas.
Em segunda análise, cabe ressalvar que ao tentar se encaixar nesse padrão, o indivíduo fica suscetível a dietas prejudiciais a própria saúde e cirurgias plásticas clinicamente desnecessárias e perigosas. Conforme as ideias de Augusto Cury, toda beleza é imperfeitamente bela, contudo, essa mentalidade está distante de ser revelada no povo brasileiro, visto que o Brasil, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), foi o país com mais procedimentos estéticos cirúrgicos do mundo em 2018. Cirurgias puramente estéticas possuem riscos como todas as outras e, o simples fato de pessoas se submeterem à esses riscos aponta para o constante culto à padronização corporal no Brasil, prejudicial tanto a saúde mental quanto a física.
Diante dos argumentos supracitados, é evidente que uma mudança faz-se necessária por meio de uma ação conjunta dos Ministérios da Cultura e Saúde para que promovam subsídios para grandes empresas do meio estético visando privilegiar exclusivamente a contratação de atores que se diversifiquem em etnias, gênero e características corporais. Tal intervenção deve ser feita por meio de licitações para essas empresas e, se efetivada de maneira correta, essa diversificação nos meios midiáticos reestruturaria o senso comum através da representatividade, melhorando a saúde mental da população e fazendo com que se sinta mais satisfeita com seus corpos sem o uso de cirurgias estéticas. Atenuando assim o culto à padronização corporal no Brasil.