O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/11/2020
“Pretty Hurts” (beleza dói) é uma música gravada pela cantora norte-americana Beyoncé na qual faz uma crítica às pressões estéticas contemporâneas. Nesse viés, o clipe aborda a realização de vários procedimentos estéticos pela artista e os perigos à saúde como consequência da busca pelo padrão. Semelhante à obra, a realidade brasileira faz-se opressora no que tange ao culto por determinado tipo físico. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a influência da mídia, bem como os transtornos alimentares.
Decerto, a Indústria da Beleza -ao circular campanhas publicitárias que impõem o que é belo- corrobora na busca pelos estereótipos corporais. De maneira análoga a esse cenário, o livro “O mito da beleza”, escrito pela jornalista Naomi Wolf, afirma que o culto à beleza e à juventude é uma das maneiras que a estrutura social utiliza a fim de limitar as liberdades econômicas e sociais. Dessa forma, ao atribuir valor e realização pessoal de acordo com a aparência física, aqueles que não se enquadram buscam formas de atingirem a “perfeição” para serem aceitos. Assim sendo, a economia em torno dos procedimentos ligados à estética é movimentada em detrimento da auto aceitação.
Paralelo a isso, a corpolatria evidenciada anteriormente tem, muitas vezes, como consequência os distúrbios alimentares. Sob tal ótica, o filme “O Mínimo para Viver”, dirigido por Martin Noxon, aborda a vida de Ellen, uma jovem que sofre de anorexia e ultrapassa os limites da saúde para atingir a magreza “ideal”. Fora da ficção, é notável que os desvios de imagem e alimentares também atingem diversas pessoas na sociedade. Desse modo, a comparação com o exposto pela mídia leva os indivíduos a realizarem exacerbadas cirurgias estéticas, dietas muito restritivas e, comumente, terem dismorfia de imagem. Logo, as pressões estéticas afetam não só a vida financeira, mas também a segurança.
Destarte, frente a provectos fatores midiáticos e consequentes danos a saúde, a padronização corporal torna-se uma problemática brasileira. Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima nos aspectos ligados ao bem-estar, deve adotar estratégias no tocante ao conteúdo midiático opressor circulante. Essa ação pode ser feita por meio da criação de um órgão específico que fiscalize e proíba propagandas que vinculem determinado porte físico à realização pessoal e como modelo ideal, a fim de diminuir as pressões estéticas criadas pela Industria da Beleza. Além disso, é necessário uma maior assistência às pessoas com transtornos de imagem, como campanhas de alerta aos sintomas e tratamento facilitado, com o fito de reduzir os impactos causados pelos estereótipos. Somente assim, a letra de “Pretty Hurts” não fará mais sentido e a busca pelo padrão extinta.