O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Em 2018, o grupo musical feminino, “Little Mix”, lançou o vídeo clipe de sua canção titulada “Strip”. A letra da faixa faz uma forte crítica à padronização de beleza e promove a autoaceitação. Paralelamente, cada vez mais campanhas têm sido realizadas com a mesma temática, pois, infelizmente, a concepção de um corpo perfeito é fortemente difundida na mídia, o que exerce pressão nas pessoas, que buscam por meios de atingir esse padrão e, muitas vezes, têm sua saúde mental afetada.

Primeiramente, é importante citar que, a padronização do que é considerado belo existe desde as origens da convivência em sociedade, como na Grécia Antiga, que era valorizada a harmonia e simetria corporal. No entanto, na contemporaneidade, com a ajuda dos meios de comunicação em massa, o padrão de beleza (corpo magro, atlético e musculoso) é espalhado com mais facilidade e grande influência, sendo pregado como até mesmo o ideal e necessário para se obter sucesso na vida. Dessa forma, a pressão nas pessoas que não se encaixam no modelo do belo é altíssima, por exemplo, segundo dados da marca de cosméticos, Dove, em sua campanha, “Escolha Bonita” de 2015, 72% das mulheres brasileiras sentem ansiedade em relação à sua aparência.

Por conseguinte, essas imposições sobre o que é belo e o que não é, levam as pessoas a buscarem métodos para atingir essa “beleza padrão”, como cirurgias plásticas, procedimentos cosméticos, atividades físicas em excesso e até mesmo dietas exageradas. Outrossim, toda essa pressão estética acarreta, em vários casos, doenças psicossomáticas como depressão, ansiedade e também distúrbios alimentares. De acordo com uma pesquisa feita pela Secretaria do Estado da Saúde (SP), em 2014, 77% das jovens de São Paulo têm propensão ao desenvolvimento de bulimia, anorexia e compulsão alimentar, além de que quase metade das entrevistadas afirmaram que mulheres magras são mais felizes, o que exemplifica as consequências trazidas pela padronização visual na prática, e demonstra o quão importante é a propagação da concepção de diversidade estética.

Em suma, faz-se necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova campanhas sobre autoaceitação e heterogeneidade do conceito de beleza. Para isso, por meio das redes sociais e mídias digitais, este deve organizar palestras virtuais e propagandas educacionais que desconstruam a ideia de um padrão estético único e promovam a diversidade das aparências, bem como alertem sobre as consequências que a propagação da perfeição corporal acarreta na sociedade, além do incentivo ao autocuidado e aceitação. Espera-se assim, minimizar o culto à padronização corporal no Brasil.