O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/11/2020
Desde a Antiguidade Clássica, a busca pela beleza esteve presente na vida do homem, os gregos acreditavam que o corpo era tão importante quanto a intelectualidade do indivíduo. Dessa forma, eles expressavam uma idealização exacerbada da figura corporal, o que propiciou um culto ao inatingível. De maneira análoga, na contemporaneidade, nada parece ter mudado, pois a questão da busca por uma beleza padronizada aflige grande parte dos brasileiros. Nesse sentido, tanto as raízes da construção do pensamento padrão, quanto a influência das mídias são antagônicos.
Em primeira instância, vale salientar a construção do pensamento padronizado formado pela cultura de maior influência. Padrão é definido como uma norma determinada e aprovada consensualmente pela maioria, que é usada como base para estabelecer uma comparação, é aquilo que serve para ser imitado como modelo. Nessa perspectiva, é inferível que o modelo é configurado pela massa de maior influência mundial, caracterizado pela visão etnocêntrica, que julga como perfeito, o indivíduo de cor branca, estrutura magra e alta, que apresenta traços finos. Por conseguinte, a pressão estética leva milhares de pessoas a buscarem soluções, muitas vezes, irresponsáveis, como remédios supostamente milagrosos, procura de profissionais de qualificação duvidosa que façam cirurgias plásticas por um preço mais acessível, dietas ilusórias sem acompanhamento de nutricionistas, entre outros.
Outrossim, é perceptível que a corroboração da circunstância se deve à imagem de perfeição corporal construída pela mídia. Segundo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica. Sob tal óptica, é perceptível que com a popularização da internet, a mídia tornou-se grande veiculadora de informações na sociedade brasileira do século XXI. Contudo, ao divulgar campanhas com modelos padronizadas, ela compactua com o desenvolvimento de problemas de autoestima nos internautas e insatisfação com a aparência. Em consequência disso, muitos desenvolvem distúrbios alimentares e enxergam uma imagem distorcida do seu corpo, ocasionando casos de anorexia, bulimia e depressão.
Diante do exposto, portanto, é notório que caminhos são necessários para diminuir as consequências decorrentes do culto à padronização corporal no Brasil. Em conjunto com a Secretaria de Saúde, as instituições educacionais devem elaborar projetos e aulas contextualizadas sobre a importância da aceitação do próprio corpo e acerca dos riscos de uma má conduta alimentar, mediada por psicólogos e nutricionistas, a fim de conservar a saúde mental e física dos alunos e comunidade. Ademais, a mídia deve aderir à campanhas de inclusão de todos os biótipos corporais, trazendo visibilidade para os corpos reais e promovendo uma maior aceitação do natural e saudável.