O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Segundo o filósofo contemporâneo Michel Foucault, o homem e a vaidade movem o mundo. Entretanto, percebe-se que o fenômeno da busca pela estética sustentado pelo contexto capitalista, juntamente com as más consequências para a saúde devido à padronização corporal, tem movido o mundo para caminhos lamentáveis.

Em primeiro lugar, os mecanismos de padronização têm acabado com a pluralidade da beleza brasileira. Nesse sentido, as influências indígenas, africanas e europeias que fazem parte da identidade canarinha perdem suas características para o culto a uma beleza padrão, incentivada a todo instante, seja por comerciais e revistas de moda, seja pelas redes sociais, como o Instagram. Dessa maneira, outro filósofo acrescenta nesse debate: para Karl Marx, o capitalismo transforma as pessoas em mercadorias, tirando sua humanidade e, hodiernamente, transformando os corpos em produtos, por meio dos diversos procedimentos estéticos que vêm surgindo, por exemplo. Dessa forma, as pessoas são levadas a deixarem de lado sua singularidade para adquirirem uma aparência cada vez mais padronizada.

Além disso, as consequências dessa busca por corpos ideias reflete em problemas físicos e psicológicos. Como representado no filme americano “O mínimo para viver”, no qual a jovem protagonista Ellen se vê sem esperança de vencer a anorexia, distúrbio alimentar muito comum principalmente entre mulheres. Assim, nota-se que Foucault,ao definir a importância da vaidade em nossa sociedade, compreende como a padronização dos corpos infelizmente gera um efeito real e direto no comportamento da pessoas, como no desenvolvimento desses casos de anorexia.

Portanto, a fim de combater esses comportamentos antes que eles se concretizem na forma de distúrbios alimentares, o SUS, responsável por garantir o acesso à saúde, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), deve iniciar um projeto de visitas de psicólogos em escolas, para identificar casos que precisam de atenção sobre essa temática na comunidade escolar, prestando assistência ou encaminhando para outros profissionais da saúde, como nutricionistas. A partir dessa ação, a sociedade será capaz de fugir dos caminhos perversos que a vaidade pode levar.