O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/10/2020

O Brasil ficou conhecido mundialmente em produções cinematográficas, propagandas e até no carnaval por mostrar brasileiros com biótipos magros e com proporções mais expressivas no quadril e peitoral, principalmente mulheres, fazendo essa forma física ser cultuada como um padrão de beleza no país. Obviamente essa não é a forma física de toda a população, mas devido a criação do padrão de beleza muitas pessoas estão em constante busca pelo “corpo ideal’ seguindo dietas restritas e perigosas, além do excesso de exercícios e suplementos, causando distúrbios como a bulimia, anorexia e vigorexia, principalmente entre jovens. É comum abrir o instagram e ser bombardeado por pessoas com corpos musculosos, cabelos lisos e loiros, além de mulheres com corpos estilo “ampulheta”, normalmente essas mesmas pessoas fazem propagandas de remédios para emagrecer, cremes redutores de medidas e suplementos garantindo uma hipertrofia em pouco tempo, tudo para entrar no “padrão”, e esses que estão “dentro do padrão” são os que possuem mais curtidas e engajamento, os que não se encaixam e preferem aceitar o próprio corpo recebem críticas e xingamentos. Esse é o contexto em que se vive, resultado do “ideal” mostrado pelas mídias. A população mais jovem é a que mais está conectada na mídia e a que mais lida com a padronização corporal, com destaque para as mulheres que devido a cultura machista presente no Brasil, se sentem pressionadas a possuirem o corpo com cintura fina e mais expressivo no quadril e seios, recorrendo a dietas malucas, ou compulsão alimentar seguida de vômitos induzido, gerando a anorexia e bulimia. Existe ainda a situação em que se olham no espelho e não conseguem se enxergar da forma que são, distúrbio conhecido como vigorexia. Diante desse contexto o número de suicídios, ansiedade, depressão e transtornos têm aumentado muito no país, estima-se que a taxa de suicídio principalmente entre mulheres aumentou em 10% devido a aparência, dado de 2016 da revista Exame. Isso demonstra como uma padronização pode afetar as pessoas, algo que é difundido pelas pessoas como normal e inofensivo, já que traz uma visibilidade para a mídia e indústria, mas está matando pessoas e causando malefícios psicológicos e físicos. Para alguém se recuperar é necessário um acompanhamento psicológico, médico e nutricional. Compreende-se os prejuízos que essa padronização de “corpo ideal” traz à população como um todo, diante desse contexto é necessário que a mídia procure uma forma de representar todas as pessoas, de todos os biótipos e etnias, não só as que se encaixam nesse padrão criado, para que assim todos os brasileiros se sintam representados e os padrões eliminados, além de campanhas com profissionais mostrando as consequências físicas da cultura do ”ideal’ e disponibilizando ajuda aos prejudicados por esse contexto , assim todos poderão adequar o olhar para si e para o próximo.