O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Segundo Platão, a qualidade de vida tem grande importância, de tal modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, essa não é a realidade de vida de alguns brasileiros, que seguem o culto á padronização corporal. Com isso, ao invés de tentar a aproximar a idealização platônica, as críticas ao corpo de um indivíduo e a mídia contribuem para que esse problema persista, desencadeando problemas de saúde física e mental.
No filme ‘‘O Mínimo Para Viver’’, a protagonista sofre com as críticas ao seu corpo, em consequência á isso, a personagem desenvolve um quadro de bulimia e anorexia. Fora do filme, essa é a realidade de homens e principalmente mulheres brasileiras, já que conforme pesquisas recentes, 87% das mulheres se sentem coagidas para atingir um corpo padrão. Nesse panorama, ao tentar chegar á esse corpo padronizado, algumas pessoas optam por dietas perigosas ou na ingestão de remédios para conseguir o corpo ideal, o resultado disso é o desenvolvimento de distúrbios alimentares e a anorexia.
Ademais, outro fator que fomenta para uma má qualidade de vida para essas pessoas que seguem o culto a padronização corporal no Brasil, é a mídia. Esse fator é notório no livro ‘‘Sociedade do Espetáculo’’, de Guy Debord, a obra passa a ideia de que cada pessoa vive sua vida como se fosse um espetáculo, tentando sempre dar o melhor show uma para as outras. Seguindo essa linha de pensamento, as mídias auxiliam para que as pessoas dêem um bom show através das redes sociais, na qual blogueiras, famosos e até revistas exibem e estimulam um corpo padronizado. Logo, é inquestionável o papel das críticas não construtivas e da mídia quando se diz respeito ao culto de um corpo ideal no Brasil.
Evidencia-se, portanto, que esse culto ao modelo de um corpo interfere na saúde física e mental de muitos cidadãos. Nesse viés, torna-se necessário uma tomada de medidas que aproximem a realidade brasileira com a realidade platônica. Sendo assim, cabe ás agências de modelo, por meio de revistas e hashtags, incluírem pessoas fora de padrão corporal em seus trabalhos e apoiar a diversidade corporal, a fim de que diminua o número de pessoas que vivem como a protagonista do filme ‘‘O Mínimo Para Viver’’ e os malefícios que essa obsessão de dar o melhor show aos outros trás. Somente assim, a sociedade brasileira não seria tão pressionada quando se diz respeito ao culto á padronização corporal, e por fim, viveriam bem, seguindo o padrão de Platão.