O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/10/2020

O filme americano “Felicidade por um fio”, mostra o cotidiano da protagonista, que é infeliz com a sua aparência, submetendo-se ao culto à padronização corporal. Fora da ficção, esse cenário é presente no Brasil, principalmente, em relação as mulheres, que sofrem muita influência pela mídia. Desse modo, é perceptível que cultuar uma padronização de corpo é um problema, visto que é um tema silenciado pela imprensa e prevalece uma sociedade que valoriza pouco a pluralidade de beleza existente no país. Diante disso, analisar o contexto atual é fundamental para que medidas apenas sintomáticas sejam evitadas.

A princípio, verifica-se que essa temática é pouco debatida pelos meios de comunicação, que priorizam apenas em padronizar um tipo de corpo. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos assuntos são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa perspectiva, a mídia fortalece padrões em revistas, novelas e filmes de pessoas que são magras, brancas e com curvas acentuadas pelo corpo, o que não corresponde à realidade de todos. Outrossim, com a Revolução Tecníco-Científica-Informacional, observa-se cada vez mais pessoas seguindo padrões de influenciadores digitais, como corpos malhados, dietas e propagandas de espaços e produtos estéticos. Entretanto, quando percebem que esses modelos perfeitos são inalcançáveis, sentem-se frustrados.

Ademais, é notório que esse modelo de corpo não engloba toda as características e diferenças encontradas no Brasil. De acordo com Stuart Hall, na atualidade encontra-se uma pluralidade identitária. Sob esse aspecto, o padrão estipulado pelos veículos midiáticos, não englobam as belezas diversas existentes no território brasileiro, sem favorecer as cores, as formas de corpos, a altura e o cabelos, o que faz muitas pessoas se espelharem em um modelo que não condiz com a realidade. Dessa forma, como consequência desse padrão, há o aumento de distúrbios alimentares, suicídio, depressão e ansiedade, segundo uma pesquisa do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. Assim, esses padrões impostos não devem ser ignorados  e sim discutidos com a sociedade.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Para tanto, as escolas devem instruir os alunos desde crianças, por meio de aulas e palestras, que expliquem as consequências desse culto ao corpo perfeito, debatendo com eles as doenças que podem ser ocasionadas nessa busca por um padrão de corpo. Além disso, a mídia deve efetivar propagandas nos mais diversos canais de comunicação, mostrando a diversidade estética que o país apresenta e desconstruindo os padrões de beleza atuais, que são inacessíveis, a fim de ser inclusivo e menos prejudicial as pessoas. Feito isso, diminuirá o culto à padronização corporal, valorizando mais a diversidade evidenciada em Stuart Hall.