O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/10/2020
Tema: Padronização estética no Brasil e suas consequências
Na Grécia Antiga, principalmente nas regiões de Atenas e Esparta evidenciou-se, grandemente, a idealização de corpos perfeitos seja entre os povos, seja por meio das obras artísticas. Atualmente, é notável um contexto semelhante ao da antiguidade grega no Brasil no que tange à padronização estética. Nessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema que compromete a saúde física e psicológica de muitos brasileiros em razão de uma lacuna na base educacional e da má influência midiática.
A princípio, a frágil educação promovida por uma significativa parte do corpo social a respeito da beleza humana faz-se como um fator determinante para a fundamentação do sério panorama. Conforme o filósofo Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Desse modo, a interpretação dos cidadãos sobre os diferentes perfis é também oriunda da cultura absorvida no meio habitado. Portanto, infelizmente, tal visão tem sido ignorante e padronizada ao longo de várias gerações. Assim, a submeter muitos indivíduos a procedimentos estéticos, mesmo que arriscados, na tentativa de enquadrar-se aos modelos prezados.
Em segunda olhar, um frequente e insensível papel da mídia vem beneficiando a complexidade da problemática. Consoante ao filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Diante disso, todavia, a grandiosa função democrática dos campos midiáticos no que se refere a solidariedade e respeito torna-se na, maioria das vezes, ofuscada por conta da promoção de “corpos magníficos”, ou seja, aqueles moldeados pela desgastante alienação que caracteriza seres normais como incomuns e, consequentemente, leva muitos à depressão pela baixa autoestima.
Em síntese, faz-se necessária uma intervenção pontual à questão abordada. Sendo assim, é viável que os Ministérios e Cidadania por intermédio de educadores e ferramentas virtuais, promova uma extensa campanha que valorize a diversidade humana e os variados perfis de beleza das pessoas por meio de palestras, vídeos animados, documentários, debates e analogias com conteúdos teóricos em todas as escolas e sites educativos nacionais. Tudo isso, com o intuito de construir crianças, jovens e pais mais sábios, realistas e resistentes aos padrões estéticos que buscam colocar em risco a rica variabilidade dos seres humanos.