O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Durante a Grécia Antiga, o culto ao corpo tornou-se algo de extrema importância, na qual o vigor físico e a perfeição corporal passaram a ser considerados critérios de beleza. De maneira análoga, na sociedade moderna ainda perpetua tal ideologia, visto que há um enorme culto à padronização do corpo. Em vista disso, os instrumentos midiáticos corroboram para o acréscimo desse cenário, além de influenciar no desenvolvimento de transtornos alimentares.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a participação da mídia na intensificação do culto ao corpo. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a linguagem corporal é marcada pela distinção social, que coloca o consumo alimentar, cultural e forma de apresentação -vestuário, higiene, cuidados com a beleza entre outros- como os mais importantes modos de distinguir dos demais indivíduos. Com isso, é evidente que o processo de massificação dos veículos de comunicação contribuiu para uma crescente preocupação com o corpo, em virtude de programações dedicadas a propagar o estereótipo perfeito, e assim diferenciar-se dos outros cidadãos para alcançar o corporal padrão. Logo, é notória a importância de mecanismos que acarrete no combate dessa preocupação com a imagem e estética propagada pela mídia.
Ademais, outro aspecto a ser abordado é o fato do surgimento de transtornos alimentares em decorrência da busca do corpo padrão rotulado pela sociedade. Um grande exemplo disso foi retratado na obra cinematográfica “O Mínimo Para Viver”, na qual a personagem Ellen desenvolveu a anorexia em razão da tentativa de encaixar-se no padrão de beleza. Nesse sentido, essa conjuntura é presenciada com larga escala na esfera social, visto que uma das consequências do culto á padronização corporal é o aparecimento de distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia. Dessa forma, é necessário a desconstrução desse ideal de beleza, e assim conter os transtornos desenvolvidos por essa idealização.
Depreende-se, portanto, a relevância da criação de alternativas para atenuar o culto à padronização corporal no Brasil. Cabe aos instrumentos midiáticos desmistificar o padrão imposto do corpo perfeito, por meio de campanhas publicitárias que englobam diversos estereótipos, a fim de combater a idealização corporal objetivada pela própria mídia. Além disso, o Ministério da Saúde deve implantar profissionais qualificados no ramo da psicologia, por intermédio de projetos em escolas, com o objetivo de fornecer apoio aos indivíduos portadores de distúrbios alimentares desencadeados pela busca do corpo padrão. Dessa modo, será possível conter o culto à padronização corporal no Brasil.