O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/09/2020
O culto ao corpo é uma prática presente na humanidade desde a Grécia Antiga, que valorizava a capacidade atlética dos homens. Por certo, esse período histórico contribuiu para a valorização corporal presente no mundo moderno. Além disso, observa-se que o uso das redes sociais reforça os padrões de beleza, mas os problemas financeiros da sociedade dificultam o acesso aos procedimentos estéticos.
A princípio, o acesso à internet é classificado como um direito humano, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Tal informação ilustra a importância dessa ferramenta no cotidiano da população. Porém, a divulgação excessiva dos procedimentos estéticos, como cirurgias plásticas e harmonizações faciais, nas redes sociais, através dos “digitais influencers”, que possuem milhões de seguidores, está padronizando o conceito de beleza. Tal situação pode ser ilustrada como um dos pensamentos do sociólogo Durkheim, que tratou um comportamento generalizado de uma população como um “fato social”. Desse modo, nota-se que os padrões estéticos disseminados pelas redes sociais contribuem para a formação de um “fato social”.
Por outro lado, a realização de um procedimento estético requer um alto investimento financeiro, o que elitiza o acesso ao padrão de beleza criado pelo mundo virtual, já que a concentração de renda aumentou em 2018, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Certamente, esse alto percentual de desigualdade cria um cenário propício para o desenvolvimento das clínicas clandestinas de estética, que ofertam um preço menor, mas não oferecem segurança hospitalar. Portanto, é notório observar que promover a padronização da beleza dos brasileiros resulta em uma questão de saúde pública, já que a renda financeira de muitos indivíduos não permite a realização de cirurgias plásticas de forma segura.
Dessa forma, é possível analisar que a internet provoca a disseminação das práticas de culto ao corpo, que não são acessíveis a toda sociedade, devido às dificuldades econômicas. Logo, é essencial que o Ministério das Comunicações promova a divulgação de propagandas midiáticas e virtuais que estimulem a diversificação dos padrões de beleza, por meio da valorização das diferentes representações físicas que compõem a sociedade brasileira. Sendo assim, mais pessoas aceitarão suas características físicas originais e menos procedimentos estéticos serão realizados.