O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 18/09/2020
A grife italiana Gucci, em um dos seus desfiles em Milão, contratou modelos extremamente magros e os vestiu com roupas brancas, carregando bolsas e equipamentos da área médica. Após tal desfile, a indústria da moda se mobilizou em um movimento que expôs a obsessão pelo corpo magro e suas consequências para a questão da saúde mental e transtornos alimentares na sociedade. Sob essa ótica, é necessário debater como a moda se faz influente negativamente na questão da idealização do corpo e como a própria mídia pode ser utilizada reduzir a problemática.
Em primeira análise, vale ressaltar que sempre houve uma idealização do corpo, tanto feminino, quanto masculino, na indústria da moda. Embora exista uma constante mudança relacionada ao que é apresentado, os atores ou modelos presentes na divulgação de algum produto apresentam um corpo magro e de padrões europeus, na maioria das vezes. A presença de tal fenótipo em mídias gera um ideal de perfeição e pode vir a causar doenças mentais ou transtornos. Confirmando isso, em uma pesquisa divulgada pela Dove foi exposto que apenas 17% das mulheres brasileiras não se sentem pressionadas por essa padronização corporal promovida. Com isso, é visível a influência da mídia atrelada à moda diante da disseminação do culto à apenas um tipo de corpo, com características que para serem atingidas são necessárias mudanças bruscas.
Simultaneamente, todavia, as mídias estão sendo bastante usadas para dar enfoque na necessidade da autoaceitação e na importância da saúde mental e física. A partir disso, marcas como a Dove, citada anteriormente, romperam com o padrão proposto pela indústria da moda e divulgaram campanhas que exaltavam a diversidade física. Por consequência, caso mais marcas tomem iniciativas como essa, doenças como bulimia e anorexia serão menos recorrente já que haverá uma maior concordância dos corpos presentes em propagandas e dos espectadores.
Portanto, cabe a sociedade exigir, por meio das mídias, como Facebook ou Instagram, um posicionamento das marcas para que assim haja maior preocupação a respeito do padrão que se torna uma problemática. Tal proposta tem o objetivo de fazer com que a mídia, por pressão social, deixe de ser difusora de um padrão imposto pela moda e se torne necessária para divulgar o debate que prioriza a saúde. Apenas assim, debates como o acontecido após a Semana de Moda de Milão (MFW), serão mais comuns, expondo a realidade e a diversidade física.