O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 25/08/2020

Na Grécia Antiga, no período clássico, o culto ao belo era evidente em esculturas e pinturas, marcados por corpos musculosos e bem definidos. Analogamente, nos dias atuais, esse cenário se repete no Brasil, porém agravado pelas redes sociais, o uso de ‘‘photoshop" e o bombardeio de procedimentos estéticos estimulados pela mídia, no qual um esteriótipo de beleza se torna padrão e aqueles que não se enquadram se sentem excluídos.

Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a nossa intolerância à dor é uma fonte inesgotável de lucros comercias, seguindo esse raciocínio, o desconforto com a própria aparência tende a se agravar em vez de ser atenuada. Comprova-se isso, visto que de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica(SBCP), nos últimos 10 anos houve um aumento de 141% nas operações estéticas no país, além dos incontáveis procedimentos e cosméticos disponíveis no mercado.

Outro fator a ser considerado é o corpo ideal vendido pelas empresas de uma perfeição inalcançável, criada por meio da manipulação de fotos e retoques no “photoshop” que afeta a autoestima do público não enquadrado nesse perfil, e estimula a busca cada vez mais desesperada para se tornar próximo das capas de revistas, por meio do consumo de cosméticos ou até mesmo intervenções cirúrgicas.

Diante do exposto é notório que a padronização corporal é um problema e para mudar esse cenário, o governo deve por meio de lei federal obrigar as empresas a notificarem uso de “photoshop” nas campanhas publicitárias, sob pagamento de multa, para conscientizar o consumidor que a imagem não é real e minimizar os impactos que esses anúncios causam.