O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/08/2020
Beleza é fundamental! Esse excerto do poeta Vinicius de Moraes é amplamente utilizado pelo marketing e exprime um ideal estético cada vez mais introjetado na civilização ocidental contemporânea. Assim como no Brasil, essa ideia aliada à cultura do consumismo e a busca pela felicidade, produzem-se consequências negativas na sociedade. Evidencia-se, portanto, que aprofundar a discussão dos malefícios do culto à padronização do corpo humano é questão preponderante.
De início, vale ressaltar que o consumismo é uma estratégia mercadológica para impulsionar o comércio. Nesse sentido, buscou-se associar o estado de felicidade abundante com uma aparência padronizada e sem imperfeições. Isto posto, para ser feliz, o marketing induz as pessoas, de modo a transformar um desejo em uma necessidade o que os levam a consumir produtos e/ou serviços supérfluos. Prova disso é que, embora os brasileiros sejam um povo muito miscigenado, as propagandas, os comerciais e até revistas, focam apenas em um padrão de atores, o que corrobora essa ideia. Logo, é importante difundir essa análise crítica na população a respeito desse tema. Outrossim, a indústria da beleza, visando maior lucro, explora e fortalece esse padrão estético vigente. Nessa perspectiva, a autoimagem é potencializada ao extremo, associando-a com a autoestima, de maneira que para ser bem-sucedido é preciso ser esbelto e estar dentro do padrão. Porquanto, esse pensamento vai ao encontro da ideia do educador suíço, Jean Piaget, pois para ele a construção da autoimagem é feita pelo espelhamento no outro, levando em consideração a opinião pública. Nessa ótica, quem não possui o corpo idealizado é vítima de preconceito e exclusão social, o que produz malefícios a maioria da população, já que, conforme pesquisa da marca de cosméticos Dove, apenas 4% das mulheres se acham belas. De fato, isso é psicologicamente prejudicial à população brasileira.
É evidente, portanto, que é mister discutir as causas e consequências do culto à padronização corporal no Brasil. Para tanto, faz-se necessária a ação da escola, lugar de maior interação social na infância, na formação de cidadãos críticos quanto a diferenciação de desejo e necessidade, bem como, os gatilhos psicossociais e mercadológicos que corroboram para essa não distinção, por meio de brincadeiras lúdicas e palestras engendradas com a participação dos pais e posteriormente pelas aulas de filosofia e sociologia, principalmente, para que, face as frustrações intrínsecas ao ser humano, os cidadãos possam reagir de maneira saudável. Dessa maneira, os impactos da utopia poderão ser amenizados no comportamento dos brasileiros e o poeta poderá recitar que beleza não é sinônimo de felicidade.