O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 13/06/2019
O ciclo do sucesso
O filme “O mínimo para se viver”, conta a história de uma menina que possui anorexia nervosa, doença em que a pessoa para de se alimentar com o objetivo de emagrecer, porém perde o controle e cria uma obsessão pelo seu peso e por aquilo que come. Desse modo, os pais internam ela em uma clínica para tentar curá-la. Embora seja uma obra ficcional, essa é a realidade de muitos jovens na sociedade brasileira que sofrem psicologicamente e fisicamente para atingir um padrão de beleza inalcançável. Sendo assim, é necessário analisar os papeis dos novos mecanismos de comunicação e da indústria da beleza na construção e alimentação desses estereótipos.
É válido considerar, antes de tudo, a contribuição das redes sociais na propagação da busca por um corpo idealizado. De acordo com o sociólogo do século XX Guy Deborde, as pessoas vivem em uma sociedade do espetáculo em que parecer ser é mais importante do que ser. Nesse sentido, a partir da internet, esse processo foi intensificado o que tornou a vida das pessoas vitrines virtuais. Nesse sentido, com auxílio de aplicativos que alteram completamente a aparência e técnicas de fotografia, as imagens das pessoas é fabricada em um processo manual, tornando-as personagens que não existem. Destarte, as pessoas que não se encaixam nesse modelo não recebe curtidas e reações, o que força muitos a buscarem ser dessa forma na vida real por meio de métodos, muitas vezes, nada saudáveis.
Cabe apontar também o ciclo vicioso que a indústria de cosméticos cria para alimentar o consumo. Para isso, pessoas que possuem grande visibilidade recebem investimentos para realizarem propagandas dos produtos, de forma a mostrá-los como um meio para se alcançar os padrões estabelecidos. Dessa forma, esses produtos são muito vendidos e o lucro é novamente utilizado para reinvestir nesses modelos. Nesse contexto, as pessoas que não percebem esse processo são vítimas das propagandas e para alcançar esse padrão iniciam dietas absurdas, adquirirem problemas psicológicos ,como depressão, a anorexia, entre outros.
Fica claro, portanto, a necessidade de demonstrar esses problemas para a sociedade. Sendo assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação deve investir em uma mídia informativa sobre esse assunto, a partir da criação de sites e perfis nas redes sociais, para mostrar como os padrões de beleza foram criadas e são alimentados pela indústria nos dias atuais, de modo que as famílias possam ter informações para orientar seus filhos sobre esses processos e, por conseguinte, diminuir os problemas psicológicos que derivam desses padrões. Somente assim, será possível substituir o ciclo vicioso da Indústria por um ciclo Virtuoso de informação e saúde.