O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 11/06/2019

Tem espelho na caverna de Platão.

“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela quanto eu?”. A madrasta da “Branca de Neve” não aceitou ter uma beleza inferior a da sua enteada, foi a partir disso que mandou o caçador capturar o coração da princesa no conto de fadas. Trazendo para um contexto real, o culto à aparência transformou grande parte da sociedade em mercadoria pública. Por isso é importante compreender o que leva a sociedade tornar seu corpo um objeto, seja para passar uma boa impressão, ou para competir no “mundo virtual”.

Primeiramente, é importante salientar que a veneração à beleza torna as pessoas escravas do seu próprio mal: a busca do corpo perfeito. Para o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é um fenómeno que molda a sociedade a padrões e regras impostas. Portanto, a boa imagem, que muitas vezes está vinculada a ter um corpo magro e sarado, é para maior parte da sociedade a “mercadoria” ideal a ser “vendida”. Fato esse que acaba corroborando para que os indivíduos entrem em um ciclo vicioso, que poucos conseguem se desvincular.

Além disso, com o advento da democratização da Internet, e com isso, grande facilidade de iteração social, fez com que as redes sociais fantasiassem uma beleza perfeita. Fato que faz boa parte da população sentir-se inferior e desconectado do contexto que é apresentado nas mídias, que muitas vezes é  diferente do real. Para Sócrates, conhecer a si mesmo é fundamental. Por isso, valorizar e trazer conhecimento de que a aparência não possui padrão é de suma importância. Pois, se levar-mos em consideração o Brasil, país com diversidade de culturas, o termo “beleza” tem que possuir um um viés relativo, e não, padronizado.

Portanto, é importante romper a ditadura que rege a aparência na sociedade atual. Urge medidas que viabilizem concientização e respeito à diversidade da figura humana. É necessário que o Ministério da Saúde junto as redes de televisão promovam campanhas de valorização de todos os “fenótipos” que compreendem a sociedade brasileira. Para que por meio de campanhas televisionadas alcance grande parte da população, conscientizando, informando e promovendo respeito à importância da diversidade de estilos e formas que gera a identidade nacional, promovendo também, uma maior saúde mental com a aceitação do próprio corpo. Pois, é preciso quebrar o espelho que está dentro da Caverna de Platão que impede aos narcisistas de apreciar  e valorizar as diferentes formas de beleza.