O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2019

No mundo contemporâneo a massiva e poderosa indústria: hollywoodiana, midiática e propagandista ditaram e consolidaram um verdadeiro culto à aparência, por meio de padrões estéticos ilusórios. De modo que tem gerado uma sociedade marcadamente alienada e obcecada em modelos e padrões estéticos. Diante disso, urge uma análise: primeiro em relação à idealização da aparência e segundo quanto ao papel social da adequação aos “padrões de beleza” contemporâneos.

De início, o platonismo vem à tona. Segundo Platão, filósofo grego, a beleza estaria basicamente na idealização, ou seja, em uma constante busca transcendente de um modelo único e perfeito do belo. Assim como para Platão, as sociedades contemporâneas – especialmente o Brasil - têm se pautado em uma busca doentia e a um culto a modelos de beleza e padronização corporal, nisso, houve uma verdadeira fusão, equivocada, do conceito de padrão estético com o de saúde e bem estar. Bem como tem levado a números cada vez maiores de vigorexia, fanatismo pelo corpo e músculos, por parte de jovens, adultos, homens e mulheres.

Além disso, o culto à aparência é o reflexo de uma incessante busca por aceitação e distinção social. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, a forma de apresentação estética e a linguagem corporal é a principal forma de distinção social. De modo que o Brasil está cada vez mais calcado nessa lógica perversa, pois segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil está no ranking mundial no número de cirurgias plásticas, com quase 300 mil só em 2016. Sendo isso, o reflexo de uma pressão midiática social de adequação a um padrão corporal.

Portanto, cabem ao Estado, movimentos sociais e ONGs junto à indústria do entretenimento debater e estimular a representatividade e diversidade tanto no cinema, novelas, programas de TV e propagandas – para que os mesmos passem a apresentar a belíssima multiplicidade de corpos, peles, cabelos, idades etc. que compõem e dão vida a sociedade brasileira, com sua genuína viscigenação. A fim de buscar o respeito da singularidade de cada individuo, além de reverter essa lógica, de um unido modelo a ser seguido.