O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/06/2019
O filme americano “O mínimo para viver”, conta a história de Ellen, uma jovem que vive na ilusão de atingir um padrão corporal, o que acaba levando-a à anorexia. Tal filme reflete os modelos estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos casos de doenças entre os jovens que cultuam o corpo em detrimento da própria saúde. Nesta perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências da supervalorização da aparência na contemporaneidade.
É preciso entender, primeiramente, que os padrões de beleza foram moldados pela história. De acordo com Michel Foucault, em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes que lhe impõem obrigações. Nos dias atuais, a mídia e o mercado foram responsáveis por criar uma nova forma de controle, o das formas físicas dos corpos. Propagado pelos meios de comunicação e pela indústria cultural como um estilo de vida saudável, os corpos magros e definidos em academias têm sido responsáveis por ditar a maneira como as pessoas devem se vestir, se alimentar e até como elas são avaliadas e julgadas pelos outros.
Neste contexto, parte do público feminino e masculino enxerga nas cirurgias plásticas e na musculação uma forma de “ascensão”, porém, o perigo se alastra quando os indivíduos encaram as mudanças estéticas como a única maneira de atingir a felicidade. Recentemente, uma bancária foi morta no RJ, após um procedimento estético feito ilegalmente. Esse é um grande exemplo, na qual as pessoas se submetem para fazer parte dessa ditadura da beleza. Ou seja, a procura pela boa forma desconhece limites e refere-se a prazeres sequer imaginados, mas que devem ser alcançados cedo ou tarde. Não importa a excelente forma que o corpo esteja - sempre será possível “melhorar”.
É imprescindível, portanto, alternativas para solucionar esse impasse. O poder midiático deve, por meio de campanhas e novelas, desconstruir os padrões e apresentar a existência dos diversos modelos físicos de beleza, a fim de trazer representatividade à população. Para dialogar com os jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática, junto de psicólogos e nutricionistas. No sistema capitalista vigente, as influências externas não deixarão de existir, mas é possível contê-las a partir do desenvolvimento do senso crítico da sociedade.