O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2019

Com a difusão da internet e a popularização das redes sociais, os padrões de beleza ganharam uma nova face na Contemporaneidade. Recentemente, a busca pelo corpo perfeito se intensificou e tornou-se extremamente preocupante, uma vez que o Brasil se tornou uma superpotência em cirurgias plásticas, produto da influência digital. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

A princípio, nota-se os influenciadores digitais como impulsionadores dessa busca pela perfeição. Segundo o estudo do Departamento de Psicologia da USP, em 2013, a insatisfação acontece quando a pessoa acredita que o corpo de referência exposto é o padrão de beleza a se seguir. Assim, segundo o filósofo francês Michael Foucault, as pessoas sabem aquilo que elas fazem; frequentemente sabem por que fazem o que fazem; mas o que ignoram é o efeito produzido por aquilo que fazem. Nessa vertente, esses efeitos são sentidos em enfermidades desenvolvidas futuras, sejam essas psicológicas ou físicas.

Por conseguinte, salienta-se também o aumento de intervenções estéticas no país, em detrimento da procura pelo físico ideal. Segundo o estudo realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISAPS), houve um aumento de 5% só em 2017, destacando-se as cirurgias de aumento da mama (15,6%) e de lipoaspiração (14,6%). Essa obsessão pode colocar os pacientes em situações bem desagradáveis, visto que, ao menos uma pessoa, morre por mês em cirurgias plásticas no Brasil. Logo, nota-se a necessidade de uma folga nessa pressão estética e de um aconselhamento médico antes da realização dos procedimentos.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver esse problema. A Organização Mundial da Saúde, em conjunto com o Poder Público, devem incentivar os influenciadores à mostrarem suas vidas de uma forma mais humanizada e real. Isso deve ser feito por meio da propagação da diversidade corporal e da aceitação da subjetividade humana no compartilhamento de conteúdos ligados ao objetivo dessa intervenção, a fim de que os internautas se sintam empoderados e inicie-se uma onda de autoaceitação.