O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/04/2019

Muito se tem visto, na contemporaneidade, a busca pelo corpo padrão. Cirurgias plásticas, procedimentos estéticos e dietas para emagrecimento são apenas algumas das técnicas utilizadas para se chegar ao tão desejado “corpo perfeito”. Influenciados pela mídia, que estabelece padrões físicos e comportamentais, as pessoas se submetem a situações de risco para se sentirem aceitas. É necessário, portanto, uma mudança no conteúdo e na abordagem das propagandas, uma vez que essas têm ocasionado danos à saúde mental e à saúde corporal dos brasileiros.

Inicialmente, é importante perceber que o culto à aparência tem sua base nos padrões impostos pelos meios de comunicação, que manipulam os indivíduos e os fazem pensar que só existe uma forma correta para o que é considerado belo, e que as características que não se encontram nessa definição devem ser modificadas. De acordo com uma pesquisa feita pela Edelman Intelligence, em 2016, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Ou seja, as mulheres, muitas vezes, não procuram mudar por elas mesmas, mas apenas para serem aceitas pela sociedade.

A cantora norte-americana, Beyoncé, em sua música intitulada “Pretty Hurts”, afirma que a perfeição é a doença da nação.  Baseando-se nessa afirmação, nota-se que o culto à padronização corporal ocasionou um crescimento do número de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, bem como o uso de remédios e a adoção de dietas, sem prescrição médica, para emagrecimento. Consequentemente, houve um aumento dos casos de distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia, por exemplo, além de transtornos psicológicos, como baixa autoestima e depressão.

Desse modo, levando-se em consideração os argumentos apresentados, é possível concluir que a busca pelo corpo padrão, estipulado pela mídia, provoca danos à saúde mental e corporal dos indivíduos, uma vez que faz com que esses se coloquem em situações de risco para atingir os padrões impostos. Portanto, faz-se necessária uma mudança no conteúdo e na abordagem das propagandas, para que essas passem a valorizar a diversidade presente no Brasil. Além disso, os agentes da saúde devem alertar a população, por meio de campanhas, sobre os riscos oferecidos pelos exageros do culto ao corpo padrão. Assim, os brasileiros aprenderão a se aceitar e, consequentemente, não se submeterão a procedimentos arriscados.