O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/04/2019
A mais de um século atrás, era cultuado em mulheres um corpo mais “gordo”, devido a concepção da época ver essas pessoas como indivíduos com melhor saúde, riqueza e beleza que os demais que frequentemente eram magros ao ponto da subnutrição, o que indicava pobreza, feiura e doença, porém essa perspectiva foi se invertendo até os dias atuais, onde estar acima do peso significa ser menos saudável e menos belo, ser magro, loiro, olhos azuis e cabelo liso é o novo padrão estético valorizado e aceito socialmente, todavia a pressão gerado por essa padronização pode levar muitos, principalmente as mulheres a se tornarem obcecados por um corpo perfeito ao ponto de iniciarem dietas e tratamentos que muitas vezes são ineficazes e podem ocasionar doenças e transtornos nos que recorrem a esse meio que em casos mais graves podem ser fatais, esse padrão de beleza imposto e perpetuado por grandes agentes da sociedade capitalista, tais como empresas de cosméticos e agências de moda que conseguem vultuosos lucros com o setor, esconde em suas raízes preconceitos de ordem étnica e racial.
Milhares de pessoas, todos os anos, em especial mulheres tentam as mais diversas formas de dietas com intuito de obter corpo ideal, todavia muitas acabam por desenvolver doenças e transtornos alimentares como anorexia e bulimia, em casos mais graves pode levar a óbito.Conforme Paula Granero, psicóloga “Saúde é um completo estado de bem estar físico, mental e social” esse corpo perfeito não passa de um ideal propagado pelas mídias visando o aumento nas vendas de cosméticos e tratamentos, muitas vezes danosos à saúde, como por exemplo o recente caso do doutor “bumbum”, que ao realizar um procedimento cirúrgico em condições irregulares, causou o falecimento da paciente.
Outrossim deve-se notar que esse estereotipo de corpo ideal esconde preconceitos, pois desconsidera pretos e pardos, cabelos que não sejam lisos, olhos que não sejam azuis e corpo acima do peso, sendo qualquer um que não se insira nesses parâmetros considerado feio e discriminado pela sociedade"Com a estética, o sujeito entra em uma relação sensível com o mundo que se diferencia conscientemente da natureza objetiva" disse Rolf Kuhm.
Em suma,cabe a mídia televisiva e de revistas valorizarem a diversidade na beleza e instigar as pessoas a se verem como belas como elas são, afim de assim evitar discriminação e aumentar a autoestima desses indivíduos.De mesmo modo, deve haver uma ação por parte das agências de moda que por meio de eventos e marketing podem destituir esse conceito de beleza uniforme, para permitir as pessoas terem liberdade de serem elas mesmas.Também é necessária a ação das famílias, que devem educar suas crianças a se valorizarem como são, e promover assim um ideal que abrace todos.