O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/03/2019

No século XIX pessoas que tinham corpos volumosos eram consideradas belas, sedutoras e saudáveis. Entretanto, esse padrão variou ao longo dos anos, e a partir do século XXI diversos meios de comunicação passaram a exibir corpos longilíneos, magros e musculosos como sinônimos de beleza, porém a busca incessante por esse modelo pode causar diversos danos à saúde, como problemas psicológicos, distúrbios alimentares e a realização de procedimentos cirúrgicos e estéticos desnecessários.

Diariamente a mídia exibe propagandas com pessoas magras, altas e malhadas. Esse estereótipo é desejado pela maioria da população, a fim de se tornarem “dentro dos padrões” e aceitas perante a sociedade. Para atingir tal conceito de belo, as pessoas se submetem a inúmeras dietas e passam horas e horas em academias. Contudo a busca pelo “corpo perfeito” está levando as pessoas a adoecerem, pois os padrões impostos pela mídia são praticamente inatingíveis e isso causa frustração, desânimo e tristeza levando as pessoas a desenvolverem problemas como, depressão, anorexia e bulimia.

Além disso, há muita procura por procedimentos cirúrgicos e estéticos. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de intervenções cirúrgicas estéticas, com 1,2 milhão de procedimentos. Entretanto, muitas pessoas ficam obcecadas em obter um “corpo perfeito” e acabam realizando inúmeras cirurgias e procedimentos estéticos sem nenhuma necessidade, como no caso do brasileiro Rodrigo Alves, conhecido como Ken Humano, que já realizou 65 cirurgias plásticas e o goiano Romário Alves que injetou em seus braços um tipo de óleo chamado synthol, e ficou conhecido como “Hulk” pelo tamanho extremamente exagerado de seus braços.

Sendo assim, é notório o quanto a cultura do culto ao corpo pode ser nociva. Dessa forma, é necessário que as pessoas se aceitem, pois não é preciso seguir padrões para se tornarem bonitas. Para isso, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) juntamente com o Ministério das Comunicações, deveria estimular campanhas publicitárias que promovem a diversidade. Ademais, o Ministério da Educação em parceria com as Secretarias Escolares deveria promover palestras que tratem sobre a valorização das diferenças de cada indivíduo, além disso a presença de psicólogos nos ambientes escolares poderia ajudar os jovens nesse processo de aceitação. Portanto, essas medidas ajudariam a erradicar tal conceito de beleza, além de colaborar com a auto aceitação das pessoas, pois todos possuem características e biotipos diferentes.