O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/03/2019

Promulgada, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, o culto ao padrão ideal de beleza impossibilita que essa parcela da população desfrute dessas prerrogativas na prática, basta ver que tem causado doenças como transtornos alimentares. Nessa perspectiva, deve haver uma discussão sobre a problemática para que esses desafios sejam superados de imediato e uma sociedade integrada seja alcançada.

É importante pontuar, de início, a negligência acadêmica quanto à abordagem da temática. À guisa do pensamento kantiano, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, sendo diretamente influenciado pela sua formação estudantil. As escolas brasileiras, porém, ao se ausentarem sobre o debate das diversidades de belezas e da importância da aceitação pessoal, fomentam um comportamento de padronização corporal no país. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza.

Também, destaca-se a objetificação do corpo como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Durkheim o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar seguido de generalidade, exterioridade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que muitas vezes, infelizmente é herança de uma complicação histórica. Prova disso são as propagandas que sempre retrataram as mulheres como objeto sexual em propagandas televisas, resultando em uma pressão de beleza ideal, conforme dados da revista abril mulher, 83 por cento das mulheres se sentem pressionadas quanto ao padrão correto de estética.

É evidente, portanto, a influência de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse sentido, cabe às escolas, em consonância com ONG´s da área, orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal. A ideia é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas na internet promovidas por influenciadores digitais, desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira.