O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/03/2019
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil as pessoas gastam mais com beleza do que com alimentação. Esse dado mostra que o culto à padronização corporal no Brasil é um problema muito evidente, logo a imposição da mídia em torno de um padrão de beleza ideal e o aumento de número de casos de transtornos alimentares entre os brasileiros estão diretamente ligados a esse contratempo. Nesse contexto convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Primordialmente, desde a antiguidade clássica, a procura pela formosura esteve presente na humanidade. Os gregos acreditavam que o físico era tão importante quanto a intelectualidade de alguém, algo que pode ser relacionado aos dias atuais pois a mídia através de revistas, jornais e reportagens cria um padrão de perfeição aos brasileiros e influenciados por ela recorrem a tratamentos estéticos, dietas e até mesmo cirurgias para alcançar essa referência, por medo de não serem aceitos dentro da sociedade. O sociólogo Émile Durkheim em seus estudos sobre “Fatos Sociais” diz que existe uma força em sociedade que gera um modelo exterior onde qualquer desvio de sua generalidade gera uma coercitividade, algo visto na padronização corporal pelo fato de que quem não o segue sofre coerção social e por temor a essa coação os indivíduos acham válido até mesmo por em risco a própria vida.
Ademais, as buscas desenfreadas pelo corpo perfeito podem acarretar problemas de saúde, como por exemplo transtornos alimentares tais como bulimia e anorexia, e levar até mesmo a óbito, é o caso da brasileira Fabiana Bezerra que morreu em um procedimento estético em uma clínica no DF. O filme " O mínimo para viver", estreado pelo serviço de streaming (com tradução para o português de conteúdos multimídia) Netflix em 2017, retrata a situação de uma jovem que está lidando com a anorexia e com a ajuda de um médico tenta vencer essa situação. Dentro de todo esse contexto o filme mostra o quão duro é viver e vencer esse tipo de distúrbio e o quão grave e problemático é essa caçada pela estrutura física ideal tão divulgada e aplaudida pela mídia.
Para resolução desta problemática, o Ministério da Saúde aliado às escolas de rede pública e privada deve promover campanhas educativas acerca do padrão difundido erroneamente pelos meios midiáticos, visando desenvolver um senso crítico afim de que a sociedade consiga conter as influências externas além de minimizar os impactos que os transtornos alimentares causam na vida dos indivíduos, para que assim em um futuro próximo este problema seja erradicado e as pessoas consigam viver em meio social sem preocupação com padrões físicos.