O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 29/03/2019
Assuntos relacionados a boa alimentação e saúde são comuns nas mídias. Porém, essa grande exposição sobre boa alimentação e saúde veio associada a uma imposição de padrão de beleza: corpos magros, definidos, musculosos. Tudo isso trouxe padrões muitas vezes inalcançáveis promovendo o contrário de saúde: pessoas cada vez mais infelizes que acabam até por desenvolver distúrbios alimentares devido o culto ao corpo ideal.
Nas propagandas, redes sociais, a mulher saudável sempre é representada por um corpo magro. Como também a protagonista de filmes e novelas, a mais sucedida, desejada, será magra. Essas associações geram um falso senso comum de que o bonito, desejado, bem sucedido e saudável é o padrão posto. Isso é uma imposição da sociedade principalmente sobre as mulheres que as fazem desenvolver distúrbios alimentares e até mesmo depressão, ou seja, as deixam menos saudáveis.
Ademais, a ditadura da beleza é irracional, pois independente da dieta e da quantidade de exercícios físicos cada indivíduo possui um biotipo, a genética influi muito nas características dos corpos. Portanto, impor um padrão a algo que biologicamente e evolutivamente foi definido para ser diferente é ilógico. A seleção natural promoveu a diversidade a fim de aumentar a variabilidade genética entre os indivíduos proporcionando maior índice de sobrevivência entre as espécies. Então, não é viável que metas irreais sejam estabelecidas em busca de um corpo perfeito agredindo a constituição biológica e individual de cada pessoa.
Diante do exposto, as pessoas precisam desenvolver um senso crítico sobre o que se vê nas mídias. Isso pode acontecer através de palestras/debates nas escolas envolvendo funcionários, alunos e comunidade para uma verdadeira conscientização sobre corpo saudável e para alertar a população sobre os distúrbios alimentares e outras doenças causadas pela obsessão pelo padrão de beleza midiático. Além disso, nas imagens produzidas através das mídias, deve haver maior transparência em relação aos recursos computadorizados utilizados para modificar a aparência das pessoas que ali estão representadas, pois muitas vezes imagens de photoshop criam uma falsa ideia de perfeição.