O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/03/2019

A cantora Estadunidense Beyonce, em 2014, lançou uma canção que alcançou repercussão mundial: “Pretty hurts”, a beleza machuca, em Português. Tal música reflete sobre os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos impactos advindas da entrega a um modelo de beleza esquálido e desprovido de saúde. Nessa perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências da supervalorização da aparência na contemporaneidade.

Em primeira análise,historicamente, ao longo do desenvolvimento da moda e estética, o culto à magreza nem sempre representou o belo. Na década de 50, atrizes como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor tornaram-se referências por suas curvas acentuadas. Hoje, veículos midiáticos insistem em propagar um ideal de perfeição através de produtos de rápido emagrecimento, musculação e cirurgias cosméticas, o que gera não uma doutrinação imagética, mas ainda, um verdadeiro massacre daqueles que encaram mudanças estéticas como única forma de atingir a felicidade.

Ademais, é notório que tal padronização não respeita os diversos biótipos humanos, tampouco valoriza o corpo multidimensional e esteticamente plural por si só. No Brasil, inúmeros são os influenciadores digitais que veiculam dietas e treinamentos físicos intensos não condizentes com a rotina e aptidão física da maioria dos internautas, os quais, muitas vezes, tentam segui-las sem acompanhamento médico. Os resultados, por conseguinte, podem ser frustrantes, além de perpetuar a disseminação e estereótipos e preconceitos étnicos. De modo que, eleger uma única forma como digna de apreciação é uma afronta aos valores éticos e humanos.

Diante disso, fica claro, portanto, que os padrões estéticos devem estar alinhados à homeostase biológica e saúde, não contemplando apenas ao aspecto visual, cabendo à sociedade refletir sobre os impactos disso. Dessa forma, é fundamental que o Estado controle, por meio de leis e fiscalização, o uso e comercialização de substâncias e fármacos agressores à saúde em academias de musculação. Com isso, a escola, em parceria com profissionais da saúde como médicos e nutricionistas, levantar questionamentos e debates que desconstruam padrões e apresentem a coexistência de diversos modelos físicos de beleza, a fim de promover a representatividade. Quem sabe assim, a sociedade compreenderá que a singularidade da beleza está justamente em seu aspecto plural.