O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/03/2019
Desde o surgimento das primeiras civilizações, verifica-se a existência de exemplares corporais nas sociedades, que são tidos como ideais, por um período, dentro de uma determinada cultura. Esses parâmetros se diferem entre os povos, mas tem em comum o fato de serem impostos principalmente as mulheres, e de causarem sofrimento, por serem inalcançáveis pela a maioria das pessoas.
Em primeira análise, a difusão da cultura machista no mundo, por ter reduzido a figura feminina a cuidadora de lar e símbolo de beleza, durante milênios, fez das mulheres o principal alvo desses padrões. E como comprova a pesquisa realizada pela Dove em 2016, que mostra que 83% das pessoas do gênero feminino se sentem pressionadas a atingirem a definição de beleza no Brasil, o alvo continua sendo o mesmo até os dias atuais.
A posteriori, é importante lembrar que a raça humana é composta de uma mistura de pessoas, de descendências distintas, com características fisiológicas diferentes e muitas vezes inalteráveis. Portanto um padrão estético especifico sempre será acessível apenas há um grupo reduzido de pessoas, e enquanto for tido como o único e ideal, causará sofrimento em milhares de pessoas, algumas por “se matarem” tentando alcançar algo que não é natural para as mesmas, e outras simplesmente por saberem que possuir aquela aparência é impossível para elas.
Nota-se portanto, que medidas devem ser tomadas em prol de valorizar e exaltar diferentes tipos de belezas no Brasil, é preciso que a população e o governo exija representatividade nos mais diferentes escalões da sociedade e em canais midiáticos como televisão. Para que mais pessoas se sintam representadas, e que os padrões passem a ser cada vez mais variáveis e menos exigentes.