O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/03/2019
A Barbie, uma boneca da empresa americana Mattel, representa o ideal de beleza imposto pela sociedade: alta, loira, dos olhos claros e exageradamente magra. Esse padrão praticamente inatingível, reforçado pela mídia atraves de propagandas, filmes e telenovelas, acarreta em graves transtornos mentais e físicos para inúmeros brasileiros.
Em primeiro plano, é preciso notar que esses padrões são forçados a criancas cada vez mais jovens, causando problemas como a erotização infantil. Como exemplo, temos o programa “pequenas misses”, que segue a rotina de meninas, geralmente de 7 a 10 anos, que participam de concursos de beleza. Elas usam apliques e maquiagem, fazem bronzeamento artificial e tudo mais que for preciso para encaixar no modelo de beleza da sociedade.
Alem disso, a busca pelo “corpo perfeito” pode causar problemas de saúde. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, cerca de setenta e sete por cento das jovens do estado de São Paulo estão propensas a desenvolver distúrbios alimentares, como anorexia e bulemia. Ainda convém lembrar que essas doenças, em situações mais graves, causam morte.
Outro ponto que deve ser abordado é o fato de vivermos em uma sociedade captalista, onde o objetivo é lucrar. A indústria do consumo lucra com essa imposição de padrões pois isto promove o consumo desenfreado de cosmeticos e produtos de beleza. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o Brasil se tornou o terceiro país com o maior mercado de estética no mundo, dados que comprovam a busca descontrolada pela perfeição.
Em suma, esse ideal de beleza irreal precisa ser quebrado. Para esse fim, o Ministério da Educação deve promover oficinas e debates nas escolas sobre assuntos pertinentes, como diversidade corporal e autoaceitação com o intuito de romper com padrões preestabelecidos. Paralelamente, o CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária - também deve se empenhar para reverter esse quadro, através de maior rigor na fiscalização de propagandas, com o objetivo de promover diversidade corporal no anúncios transmitidos pelos meios de comunicação. Somente assim será possível acabar com a “ditadura de beleza” que o Brasil vive.