O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/03/2019

No filme “Dumplin”, Willowdean Dickson sofre bullying por ser uma jovem que não está adequada aos padrões de beleza por ser acima do peso, então para quebrar esse estereótipo decide entrar no concurso de beleza. Fora das telas, essa padronização corporal é uma realidade no Brasil, em que muitas pessoas sofrem na busca desse ideal. Desse modo, deve-se analisar a coação social desde a infância e a mídia, como veículo de propagação, como fatores da persistência do problema em questão.

Sob esse viés, o corpo ideal é pautando muitas vezes pela imposição da população com as crianças. Segundo o sociólogo Émile Durkhein, o fato social é uma maneira de agir e pensar geral, exterior e coercitiva. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a busca do corpo ideal pode ser encaixada na teoria, uma vez que se uma criança vive em uma família que define um corpo ideal como um corpo magro por exemplo, tende a adota-lo também por conta da vivência em grupo. Dessa maneira, não é raro muitas pessoas sofrerem de transtornos alimentares como anorexia, bulimia e vigorexia pela compulsão de atingir o padrão de beleza geralmente pela influência desde a infância.

Além disso, os meios de comunicação são outros influenciadores para a padronização corporal no Brasil. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria cultural massifica os costumes de um povo por meio da mídia. A partir disso, é possível identificar que jornais, revistas e novelas são geralmente usados como objetos de propagação da idealização corporal para que setores, como o da beleza, consigam lucro. Nesse contexto, é ocasionado uma influência pela busca de um corpo ideal, como por exemplo uma mulher que há todo momento é bombardeada de silhuetas, bumbuns e bustos padrões na televisão, e geralmente tenta atingi-los principalmente por procedimentos estéticos, muitas vezes correndo riscos. É possível ilustrar esse fato no caso do “Dr Bumbum”, em que uma paciente morreu após uma lipoaspiração no Rio de Janeiro em 2018.

Portanto, para que o Brasil fique livre da imposição de um padrão corporal, é essencial que as escolas promovam debates com os jovens e as famílias sobre aceitação pessoal, visando desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de beleza sem que as próximas gerações cresçam com uma idealização corporal já formada. Ademais, é imprescindível que o Ministério das Comunicações promova na mídia projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país, a fim de reproduzir uma cultura diversificada e formada de novos comportamentos e opiniões sem preconceitos estéticos, para que os riscos à saúde ocasionados pela ditadura da beleza sejam extintos. Desse modo, a realidade brasileira poderá, assim como no desfecho de “Dumplin”, quebrar os estereótipos impostos.