O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Desde o iluminismo, entende-se que a sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os problemas relacionados ao culto à padronização corporal, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela inoperância estatal, seja pela mal formação de valores dos setores da sociedade civil. Nesse viés, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Como primeira constatação, observa-se que preocupações associadas à obsessão pelo corpo idealizado pela sociedade não apenas existem, como vêm crescendo a cada dia. Por conta disso, é preciso buscar as causas dessa questão, entre as quais, emerge como a mais recorrente, a falta de apoio psicológico aos cidadãos no que diz respeito à desconstrução de uma padrão de beleza que é pulverizado pelo quarto poder, a mídia. Em visto disso, verifica-se que não há suporte para prevenção desse mal que assola a contemporaneidade - descumprindo o artigo 6° da Carta Magna, o qual afirma ser dever da União garantir saúde, educação e assistência aos desamparados.

Somada à indiligência estatal, outro ponto que merece atenção está relacionado à má formação dos valores da sociedade civil, o que contribui para o aumento do preconceito contra aqueles que não obedecem a um padrão estético, como  efeito negativo dessa problemática está o aumento de doenças como anorexia, bulimia e vigorexia, exemplos disso podem ser encontrados nas informações divulgadas pela revista Veja, a qual revelou que 77% dos jovens têm propensão a distúrbios alimentares, em virtude de submeterem a restrições alimentícias sem acompanhamento nutricional. Nessa perspectiva, a falta de conscientização é contrária à teoria hegeliana, de que a consciência é a única capaz de operar mudanças sociais.

Portanto, para que o ideal iluminista seja colocado em prática e a Constituição Federal seja plenamente respeitada, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em ampliação do acesso à informação, através de palestras ministradas por especialistas na área (como médicos nutrólogos e nutricionista), com o intuito de fornecer base para a desconstrução de discursos que privilegiam a padronização corporal. Paralelamente, convém ao Congresso Nacional, mediante aumento do percentual de investimentos - o qual será possibilitado por uma alteração na Lei das Diretrizes Orçamentárias -, ampliar o setor da Secretaria de Comunicação Social, a fim de que esse órgão crie campanhas publicitárias valorizando a saúde corporal, para que a sociedade seja mais harmônica.