O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2018

De princesas a super heroínas, não importa o contexto, o padrão estético explorado e fomentado, principalmente nas meninas, desde criança, é o mesmo: o “corpo perfeito”. Esse modelo inalcançável, determinado pela indústria e estimulado, cada vez mais, pelas mídias, tem gerado discussões acerca dos seus efeitos nocivos à população, principalmente às mulheres.

Primeiramente, é válido mencionar que a indústria da beleza é a mais lucrativa, atualmente. A imposição de um padrão corporal inatingível para a maioria das pessoas, e a vinculação dessa imagem com a “felicidade”, gera um sentimento, principalmente nas mulheres, de insatisfação com o seu próprio corpo. Movidas pela frustração, milhares de pessoas se submetem a procedimentos estéticos e dietas malucas, podendo colocar sua vida em risco, como o caso da bancária Lilian Calixto, ocorrido em julho de 2018, que faleceu após um procedimento cirúrgico.

Em segundo lugar, é importante salientar que a busca incansável pelo “corpo perfeito” gera uma série de distúrbios alimentares, como a anorexia, bulimia e ortorexia, os quais, se não tratados, podem levar ao óbito. No entanto, tem crescido o número de pessoas engajadas na desconstrução do “modelo ideal” de beleza. Um exemplo disso é a jornalista Mirian Bottan, que venceu a bulimia e a ortorexia e hoje, através das redes sociais, ajuda milhares de pessoas a vencer esses paradigmas e levar uma vida melhor, mais saudável e com a autoestima elevada.

Dessa maneira, fica evidente que a problemática do culto aos padrões estéticos corporais ainda precisa ser discutida. Portanto, cabe às escolas, em conjunto com o Ministério da Saúde, orientar a população acerca da relevância da aceitação pessoal como uma meio de prevenção de possíveis distúrbios alimentares, por meio de palestras e debates nas salas de aula, com o apoio de profissionais especializados no assunto. A intenção é desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas engajadas com o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira.