O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/09/2018
‘‘Eu não tinha este rosto de hoje, nem essas mãos tão frias, tão mortas, em que espelho ficou perdida a minha face?’’ Os versos de ‘‘Retratos’’, de Cecília Meirelles expõe os efeitos que o tempo exerce sobre o indivíduo, um processo que age, não raro, no silêncio, na inquietude e quando notado, externaliza um dos dramas do século atual, O desafio de frear o envelhecimento. Nesse celeuma, abdicar do senso-crítico que ilumina o riscos, converte-se em cultura. De fato, quando a beleza transita para um processo preocupante…eis a escravização.
Na proa dessa tese assertiva, a sociedade desempenha um papel nato. De acordo com Aristóteles na Teoria da Mimese ‘’Através das repetições, aquilo que seria uma ideia abstrata, tornaria uma realidade.’’ Desenvolvendo uma analogia: através das repetições de um padrão de beleza proposto pela sociedade, acabou tornando realidade a ideia de que o belo seria aquele que segue os padrões de moda, tornando a tese do filosofo coerente, proporcionando um indivíduo moldado pelos valores que a sociedade impõe. Tais ações, corrobora para uma alienação social. Outrossim, a mídia proporciona uma construção social. O padrão estético de beleza atual, perseguido pelas mulheres e homens, é representado imageticamente pelas modelos esquálidas das passarelas e páginas de revistas segmentadas, por vezes longe de representar saúde, mas que sugerem satisfação e realização pessoal e, principalmente, aludem à eterna juventude. Anorexia e bulimia são resultado da busca pelo inatingível. Ora, a indagação pela beleza atrela-se a um vício social.
A busca pelo corpo perfeito, em suma, traduz-se como uma mazela de saúde publica, à qual não cabe banalização. Nessa perspectiva, sublinhe-se que a atuação efetiva do ambiente familiar, cabe o entendimento da dos filhos no tocante ao físico, ao que se assiste, debate e, sobremaneira, pensam sobre tal agrura, aspectos que o policiamento dos pais reitera o sentido de precaução.