O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/08/2018

O culto à padronização ao corpo iniciou com a sociedade grega, a qual acreditava que o intelecto e o físico perfeitos eram importantes para a felicidade do homem. No Brasil contemporâneo, observa-se a persistência desse ideal com a intensa busca dos brasileiros por academias e cirurgias plásticas e o consequente aparecimento de doenças decorrentes desse paradigma. Nesse prisma, nota-se que a imposição da necessidade de um corpo considerado perfeito é nocivo para a sociedade.

Os gregos associavam corpos atléticos como virtude de mentes brilhantes. Na realidade brasileira, no entanto, a busca por um corpo considerado ideal é restritamente estético e é imposto como sinônimo de felicidade, principalmente pelas mídias que incentivam ao consumo. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil é o segundo país com maior prática de cirurgias estéticas e essa realidade é um reflexo da influência de propagandas  para os gastos necessários com academias, cirurgias e remédios para adquirir um corpo padrão.

Nesse sentido, aqueles que não se encaixam nessa perspectiva de corpo ideal, principalmente as mulheres, sofrem imposição para se padronizar. Dados da pesquisa realizada pela empresa americana “Eldeman Intelligence” mostram que 83% das mulheres sentem pressão para se adequar aos corpos considerados padrões, ou seja, magros. Dessa forma, nota-se o desenvolvimento de doenças e transtornos alimentares como bulimia e anorexia, nas quais observam-se a obsessão para atingir um corpo magro em detrimento da saúde.

Sob tal ótica, infere-se, portanto, que o ideal de padronização corporal deve ser mudado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, expor, por meio de propagandas governamentais, a necessidade da saúde acima de qualquer tipo de corpo, para promover a mudança de pensamento dos brasileiros. Ademais, o MEC pode organizar palestras nas escolas, para o público adolescente, sobre a importância da pluralidade dos corpos, ajudando na maior autoaceitação dos jovens do Brasil contemporâneo.