O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/08/2018

Na Grécia Antiga se valorizava a forma atlética dos corpos, a prova disso foi a criação dos jogos olímpicos, nos quais os atletas usavam sua beleza para homenagear, por meio de campeonatos, os deuses gregos. Contudo, no contexto social vigente, o excesso ao culto a aparência é algo alarmante, visto as adversidades ocasionadas por essa problemática. Desse modo, dois aspectos fazem-se relevantes: a influências dos meios de comunicação na construção desse pensamento, e os fatores de ordem educacional, bem como cultural, que efetivam esse raciocínio.

Indubitavelmente, com o advento da Revolução Industrial, a sociedade desde pequena é bombardeada por propagandas de fast-foods e alimentos nada saudáveis, logo, isso motiva no ganho excessivo de gordura corporal. Ademais, quando adolescentes, propaga-se a ideia de corpo belo, no qual surge o estereótipo de que para ser aceito no meio social deve-se alcançar tal forma física. Por conseguinte, ocasionando em transtornos psicológicos e alimentares nos indivíduos. Dados do banco de pesquisas do Ministério da Saúde apontam que 77% das jovens têm propensão a distúrbios alimentares.

Outrossim, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza feminina, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres, que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal.

Fica claro, dessa forma, a influência de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse viés, cabe às escolas, em consonância com ONG’s da área, orientar a população acerca da relevância da aceitação social. A ideia é, a partir de palestras e debates nas salas de aulas, além de campanhas na internet e nas ruas, por meio de cartazes e outdoors, desconstruir os padrões criados, e promover a diversidade de beleza. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos pensamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação de heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação, e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira.