O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/08/2018

Na Antiguidade Clássica, em Esparta, o homem era incitado, desde as fases mais tenras, ao culto à valorização da perfeição estética corporal. Analogamente, como em um ciclo vicioso, os valores estereotipados do corpo ideal foram mantidos, desde os primórdios até a atualidade, sofrendo, porém, adaptações referentes às épocas vividas. Nesse ínterim, vale ressaltar que a atual supervalorização do “corpo perfeito” advêm da imposição social e midiática de padrões de beleza, muitas vezes, inalcançáveis.

Segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. Sendo assim, é visível que a massa populacional tende seguir os modelos prescritos pelos meios de produção de cultura -como a indústria de entretenimento e da moda- no que se faz consoante a estética ideal. Todavia, mesmo com a natural pluralidade de biotipos corporais, a procura pelo biotipo específico dos famosos e modelos, por exemplo, parece incessante e movimenta milhões de reais todos os anos no Brasil. Ademais, a busca por resultados imediatistas e de baixo custo levam inúmeras pessoas a submeterem-se a procedimentos cirúrgicos de procedência duvidosa, como a aplicação do hidrogel, ou mesmo na aplicação de esteroides e anabolizantes, que quando rejeitados pelo corpo resultam em infecções que podem levar ao óbito.

Além disso, a valorização do esteriótipo da beleza dos brasileiros promove uma pressão acima da média mundial no que se diz a respeito ao alcance dos padrões impostos, sendo o sexo feminino mais susceptível, visto que mais de 80% das mulheres brasileiras não estejam totalmente satisfeitas com seu corpo, segundo uma pesquisa da empresa de cosméticos Dove. Dessa forma, problemas referentes a autoestima são frequentes entre essas pessoas e como forma de controle corporal, muitos se sujeitam a dietas comprometedoras que, em alguns casos, podem ser agravados a transtornos alimentares -como a bulimia, a anorexia e a vigorexia- que se não receberam tratamentos adequados podem gerar consequências psicológicos, físicas e em casos mais traumáticos ocasionarem a morte.

Diante desse cenário, compreende-se que o culto a padronização corporal ainda vigora no Brasil. Portanto, a mídia, enquanto canal de formação de novos comportamentos e opiniões, apresenta função áurea na universalização de informações qualificados quanto aos problemas relacionados a busca incessante pelos padrões estéticos, e também, deve incluir pessoas que abranjam ao máximo a pluralidade de biotipos objetivando a inclusão social e a quebra do esteriótipo de beleza. Outrossim, Ministério da Saúde deve investir, ainda mais, no suporte em postos de saúde a pessoas com transtornos alimentares, por meio de equipes multidisciplinares, com apoio de psicólogos, nutricionistas e psiquiatras.