O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/08/2018

Segundo o pensamento do filósofo David Hume, a percepção estética é resultado da contemplação do belo, isto é, do impacto da beleza sobre seu espectador, tornando-se algo relativo. Porém, observa-se na sociedade pós industrial que as redes informacionais têm divulgado a ideia de um conceito de beleza universal, como sendo o corpo esbelto. Dessa maneira, tal padronização fez com que a população, em sua maioria jovem, cultuassem o corpo e buscassem encaixar-se nos esteriótipos estipulados, gerando lucro para a indústria de cosméticos e suplementos, além das academias. Sendo assim, as pessoas que não possuem o fenótipo ‘‘ideal’’ sofrem com a exclusão e, muitas vezes, submetem-se a ações prejudiciais a saúde como é o caso dos distúrbios alimentares e depressão causada pela baixa auto-estima.

É primordial ressaltar que com o processo de globalização e acesso a internet, as mídias sociais conseguiram conectar um grande número de pessoas em todo o mundo, dessa maneira ficou mais fácil disseminar esteriótipos de beleza e manter um padrão quase universal a cerca do corpo ideal. Nesse sentido, as redes de cosméticos e treinadores físicos tem sido beneficiados pela ampla divulgação do corpo saudável, forte e bronzeado como das musas fitness ou esbeltos como das Angel’s da Victória Secrets, dessa maneira, incentivam cada vez mais o contraste com as frequentadoras assíduas dos fast foods e aumentam o número de pessoas que usufruem de remédios milagrosos e dietas hipocalóricas e, até mesmo, submetem-se à cirurgias plásticas.

Deve-se abordar, ainda, que os principais alvos dos padrões de beleza são os adolescentes, os quais estão passando por mudanças corporais e sociais, ficando vulneráveis aos impactos negativos de um esteriótipo tão rígido. Dessa forma, muitos jovens sofrem com o bullying, visto que, estão nos extremos do peso ou não possuem a fisionomia desejada, logo, contraem uma série de distúrbios alimentares ou psicológicos, evidenciados pelo aumento dos casos de depressão, em cerca de 37%, de 2005 à 2014. Sendo assim, a busca tão importante para adolescentes em fazer parte de um grupo social, passou a significar a busca por um corpo idealizado, mesmo que isto coloque a sua saúde em risco.

Torna-se claro, portanto, que o culto ao corpo tornou-se um problema social e deve ser combatido com projetos que visem disseminar, principalmente entre os jovens, a ideia da beleza ser relativa e a normalidade na pluralidade corporal. Logo, torna-se papel do Ministério da saúde, com auxilio midiático, aumentar as campanhas, nas escolas e nas redes sociais, de aceitação pessoal ao corpo, com todas as suas singularidades, bem como, devem oferecer auxilio psicológico para tratar dos distúrbios causados pela padronização, afim de livrar-se do conceito da beleza universal e dos seus problemas.