O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 20/08/2018

Na contemporaneidade é recorrente a ideia de que existe um padrão de corpo que deve ser alcançado por todas as pessoas, independente do seu biotipo ou, até mesmo, da sua saúde. Logo, muitos indivíduos têm recorrido a métodos pouco ortodoxos para tingir esse padrão,muitas vezes colocando a própria vida em risco. Dessa forma, para compreender melhor o tema, é fundamental que aspectos comportamentais e sociais sejam analisados com mais profundidade.

Em primeira análise, quando Marx define ideologia como a imposição das idéias de um grupo sobre o outro, ele ratifica que os modos de pensar e agir de determinadas pessoas são, muitas vezes, veiculados como se aquela fosse a norma a ser seguida por todos. Dessa forma, existe, atualmente, uma cultura onde é propagada a ideia de que para ser aceito na sociedade o indivíduo deve possuir determinado tipo corporal. Isso fica evidente através de uma pesquisa comissionada pela Dove na qual 63% das entrevistadas relataram acreditar ser necessário possuir um formato de corpo específico para se alcançar uma vida bem sucedida. Logo, indivíduos que não atingem esse padrão tendem a desenvolver problemas de estima por não se aceitarem como são.

Outrossim, é importante analisar que o número de usuários de redes sociais alcançou um valor recorde, segundo pesquisa divulgada no Jornal da Cultura. Desse modo, é comum, nesse tipo de mídia, a presença de celebridades com milhões de seguidores que alcançaram a fama por meio da sua imagem corporal. A questão é complexa, pois muitos desses seguidores buscam de várias formas, inclusive por meio de procedimentos ilícitos, alcançar o mesmo padrão de corpo dessa celebridades. Um exemplo é o caso da jovem que morreu após passar por procedimento estético irregular realizado pelo Médico conhecido como Dr. Bumbum. Esse caso evidencia que algumas pessoas estão dispostas a colocar a própria vida em risco para conseguir alcançar o corpo propagado como padrão pelas redes sociais.

Deve-se constatar, portanto, que existe um forte culto a padronização corporal no Brasil, e que isso tem levado as pessoas a buscar atingir esse padrão por meio de métodos que podem, muitas vezes,  colocar sua integridade física em risco. Para amenizar o problema o Ministério da educação deve incluir no plano curricular nacional, por meio da disciplina de Educação Física, a abordagem de temas relacionados a imagem corporal, enfatizando o fato de que os indivíduos possuem suas características físicas próprias e que elas devem ser respeitadas. Assim, a sociedade estaria trabalhando para a desconstrução de injustos padrões corporais que tem influenciado, de forma negativa, a mentalidade dos cidadãos.