O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 19/08/2018
No livro O Diário de Nina, escrito durante o período do terror stalinista, a adolescente Nina Lugovskaia evidencia, diversas vezes, a sua baixa autoestima e pensamentos depressivos ligados, não só aos massacres da época, como também à beleza que nunca julgou possuir, devido, principalmente, ao estrabismo apresentado. Do mesmo modo, atualmente, consta-se que os indivíduos, em especial, as mulheres, continuam, através de uma influência midiática, preocupados exageradamente com a própria estética e tomam medidas, muitas vezes, prejudiciais, para alcançar o corpo desejado.
A princípio, por mais que a ideia de padrão de beleza pareça algo recente, desde a Grécia Antiga surgiram os primeiros indícios de modelos físicos atraentes, como os personagens Narciso e Afrodite, que enfatizam a fisionomia como objeto de culto. Similarmente, segundo pesquisa da Secretaria Estadual de São Paulo, 80% dos entrevistados seguem um padrão de beleza e, quase metade, acha que as mulheres magras, em especial, são mais felizes e paqueradas. Tais dados demonstram que, por mais que a sociedade se modernize, a grande maioria da população perdura com padrões e preconceitos ligados à aparência.
Ademais, as mulheres, por sua vez, devido à supracitada obrigação social de beleza, acabam recorrendo à ingestão de medicamentos ou a procedimentos cirúrgicos delicados, como exemplo das famosas Fátima Bernardes e Camilla Uckers. De acordo com a ISAPS – Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética- o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de cirurgias plásticas no mundo. Tal situação pode ser explicada sob a influência da mídia, visto que o cinema difundiu ainda mais os padrões de beleza e a TV prossegue querendo vender imagens de “corpos-modelo” a serem seguidos.
Nota-se, com isso, que a excessiva preocupação quando à aparência pode causar problemas irreparáveis à saúde e, até mesmo, à boa convivência em sociedade. Assim, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas sociais, ministrando palestras gratuitas quando à problemática citada. Igualmente, o Ministério da Comunicação deve aumentar o rigor das fiscalizações das propagandas, de modo a limitar o seu poder de persuasão. Dessa forma, será possível fazer com que, ao contrário de Nina Lugovskaia, as pessoas cresçam vendo a própria aparência com aceitação e agrado, e não como um fardo a ser suportado.