O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/08/2018

O Renascimento Cultural foi um evento que retomou os ideais clássicos gregos e uma de suas características era a valorização do homem. Isso, por sua vez, pregava culto ao belo e à perfeição, aproximando-se cada vez mais de um protótipo de padrão corporal. Dessa forma, pode-se verificar que a ditadura da beleza presente nos dias atuais é uma herança a mais do colonialismo europeu. Porém, com a globalização, a valorização extrema da aparência é cada vez mais propagada e vem a ser um grande entrave a saúde dos cidadãos.

Primeiramente, é possível verificar o papel da mídia na adoração ao “corpo ideal”, que se deve à grande pressão imposta pela sociedade do consumo, em que tudo é feito no intuito de gerar lucro. Assim, com programas de grande audiência que acabam por decretar um modelo corporal para homens e mulheres, bem como a facilidade de divulgação desse padrão na internet, a grande massa populacional sente-se pressionada a encaixar-se nesses moldes. Além disso, há a presença de “musas fitness”, que divulgam, tanto fotos de seu físico, quanto de suas dietas. Isso acaba por influenciar as pessoas a seguirem, não apenas um perfil, mas uma nutrição incorreta. Como resultado, têm-se um grande contingente populacional priorizando a busca pela estética aos cuidados com a saúde.

Em virtude de a saúde ser ignorada, depara-se com o surgimento de doenças, como anorexia e bulimia. Tendo em vista que, em grande parte dos casos, a intervenção na alimentação ocorre sem ajuda profissional, é inegável que o tratamento não será eficaz. De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, essas doenças atingem, respectivamente, 1% e 5% das mulheres ao redor do mundo. Por outro lado, entre os homens, há intensificação no uso de esteroides anabolizantes, hormônios que promovem mitoses nos tecidos musculares, fazendo as células crescerem e se multiplicarem. Como consequência, seu excesso aumenta a pressão arterial, levando a um mau funcionamento cardíaco e podendo chegar ao óbito.

Logo, não há como negar que o culto à aparência acarreta em grandes problemas para o bem-estar populacional. Assim, é papel da mídia amenizar a intensidade da propagação da ditadura da beleza, de modo a transmitir aos telespectadores a maior importância da saúde em comparação à forma corporal, garantindo que em seus diversos programas, haja debates e discursos sobre esse assunto. Além disso, cabe à família a orientação de seus membros, assegurando que haja busca por ajuda profissional, como psicólogos e nutricionistas, de indivíduos que estejam insatisfeitos com seu físico, para que o procedimento seja feito de maneira correta, a fim de modificar, finalmente, os ideais gregos que prevalecem até os dias de hoje.