O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/08/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para sua sociedade que, diante de padrões estéticos impostos e suas consequências, vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de tentar aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por estes indivíduos, os meios de comunicação e o capitalismo acabam contribuindo com a situação.

Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil é o segundo no ranking mundial de cirurgias plásticas. Isso porque, a mídia em todas suas esferas, geralmente, reafirma padrões de beleza eurocêntricos tidos como ideais a serem alcançados. Em decorrência disso, a população brasileira apresenta uma demasiada preocupação com relação à aparência física. Por conseguinte, o excesso de assimilação desses conceitos impostos nos meios de comunicação estimulam, indubitavelmente, problemas, tais como, bulimia, anorexia e a vigorexia – doenças relacionadas à não aceitação corporal – nos indivíduos. Desse modo, os meios de comunicação acabam contribuindo para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada pela sociedade brasileira.

Ademais, a Indústria Cultural como caracterizou Adorno e Horkheimer, filósofos da escola de Frankfurt, contribui para essa problemática. Isso decorre do capitalismo que, através da Indústria Cultural impôs um padrão de beleza na sociedade e, como resultado, fez as pessoas pararem de pensar racionalmente e passassem a seguir os padrões estéticos impostos. Dessa forma, criou-se uma sociedade desesperada e alienada, que consome todos os produtos de beleza possíveis, fazendo, assim, a indústria dos cosméticos lucrar cada vez mais.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem estas realidades. Em razão disso, a mídia deve realizar, por meio de propagandas e cartazes, campanhas informativas de aceitação ao próprio corpo, com fito de promover o culto corporal de uma forma psicologicamente saudável. Outrossim, o Ministério da Saúde deve exigir às clínicas plásticas laudos de psicólogos sobre a real necessidade de realização de quaisquer cirurgias estéticas nos pacientes, por meio de proposta de lei na Constituição, para que sejam evitados processos estéticos quando, na verdade, a indicação é tratamento psicológico. Assim, os brasileiros não apenas viverão, mas viveram bem.