O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/08/2018
Em “Malhação: Vidas Brasileiras”, novela da Globo, a personagem Pérola é convidada para ser garota propaganda de uma academia, e deveria entrar em jejum para perder peso mais rápido. Assim, a garota começa a tomar remédios de emagrecimento e sofrer transtornos alimentares, que prejudicam cada vez mais sua saúde. Diante disso, esse tipo de problema não acontece apenas na televisão, mas também na vida de muitas jovens brasileiras, que buscam a perfeição corporal em prol da aceitação da sociedade, que exerce “padrões” sobre as pessoas e resta discutir os impactos e as consequências dessa padronização na contemporaneidade.
A padronização do corpo é exercido na sociedade desde a antiguidade, com belas esculturas e pinturas artísticas exaltando a beleza da época. Assim, hodiernamente, por influência da mídia, o padrão corporal passou a ser magro e malhado tanto para as mulheres como para os homens, com isso muitas pessoas se sacrificam e fazem de tudo por esse estereótipo de beleza ideal. Dessa forma, chegam a arriscar suas vidas com desnecessários procedimentos cirúrgicos e dietas exageradas que comprometem a saúde. Portanto, de acordo com uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o número de cirurgias realizadas em adolescentes, saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012. Efetivamente, é importante combater esses padrões, pois pode afetar a saúde física e mental do indivíduo em questão.
Além disso, é conveniente destacar que, essa busca pela perfeição é consequência da baixa autoestima e da influência de outras pessoas. Ademais, muitos jovens brasileiros prejudicam sua saúde mental por sofrerem diariamente com discriminações no meio em que vivem, por não estarem dentro dos padrões exercidos na sociedade, assim, estimulam mais ainda a falta de amor próprio e podem até entrar em depressão. Desse modo, isso afeta também o meio artístico, como é caso da atriz Cássia Kiss que teve bulimia por 13 anos, e a mesma conta que a doença veio por causa da sua falta de afeto e pela sua solidão.
Torna-se imprescindível, portanto, que essa padronização não é saudável para as pessoas, e que não se trata apenas de ser “belo” mas sim de ser bem consigo mesmo. Assim, as escolas e universidades possam promover habilidades socioemocionais entre alunos com o propósito de que, aprendam a colocar em prática por meio de debates e palestras, as melhores atitudes e habilidades para controlar suas emoções. Enfim, a mídia deve excluir esse padrão de beleza que a mesma impõe sobre a sociedade, enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Assim, a sociedade compreenda que essa padronização não é saudável para a vida.