O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 09/08/2018

A padronização da beleza acompanha a humanidade desde seu princípio, como na Grécia clássica, onde o corpo atlético era supervalorizado. Hodiernamente, entretanto, a globalização e a popularização dos meios de produção tornaram essa cobrança muito mais intensa acerca do indivíduo. Nesse contexto, há dois fatores que não devem ser negligenciados: a exclusão social sofrida pelos indivíduos considerados “fora dos padrões” e a influência da mídia no fortalecimento desse padrão.

No livro “Extraordinário” da escritora R.J Palacio, Auggie, o protagonista sofre de uma síndrome cuja sequela é uma deformidade facial. Ele vai, pela primeira vez, uma escola de verdade, lá ele tem a difícil missão de lidar com a intolerância de alguns colegas quanto à sua aparência. Essa é a realidade de muitos jovens brasileiros, que apesar de, não sofrerem com nenhuma doença, são marginalizados por seus colegas, apenas por estarem acima do peso ou por terem uma beleza diferente do padronizado pela sociedade. Esse bullying, traz sérias consequências para o indivíduo, como por exemplo, o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia nervosa.

Ademais, convém frisar que a a influência da mídia nesse quesito é fortíssima, principalmente no que diz respeito a população mais jovem, a qual se mostra mais suscetível a influências externas por estarem em desenvolvimento psicológico. Um exemplo, são as propagandas de grandes marcas, que na maioria das usam e abusam das modelos magras, de pele e cabelos claros. Essa ação, oprime ainda mais o jovem que já se mostra infeliz com sua aparência, devido ao bullying sofrido no ambiente escolar, uma vez que, não traz exemplos no qual esse jovem possa se espelhar. Aumentando assim, o sentimento de não pertencimento, elevando as chances dessa classe desenvolver doenças mentais, como a depressão.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. É imprescindível que o Ministério da Educação em parceria com instituições de ensino públicas e privadas, promovam palestras educativas, seminários e oficinas, ministradas por educadores afim de celebrar a diversidade e o amor próprio. Também se mostra necessário, que haja uma regulamentação dos meios midiáticos no que diz respeito a propagandas, para diminuir o impacto dessas na vida, não apenas dos jovens, mas também de todos os brasileiros.