O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/08/2018
Na Grécia antiga, a arte grega se baseava em retratar o homem em sua simetria perfeita, originando assim, o padrão de beleza. Contudo, hodiernamente, esse padrão vem passado por diversas modificações de acordo com tempo, mas, mantendo sempre a sua característica principal: ser um padrão inalcançável. Neste sentido, devido à pressão para estar dentro do padrão, a busca pela perfeição estética é um caminho cada vez mais percorrido, e muitas vezes, prejudicial, exigindo medidas para amenizar esse impasse.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar o fato de que a mídia é responsável por disseminar padrões estéticos e corporais que não condizem com a realidade: um corpo magro e perfeitamente definido, cabelos lisos e olhos claros. Estas são apenas algumas das características que os compõe. Todavia, apesar de ser um ‘‘falso padrão’’, a influência midiática na vida das pessoas é tão descomunal que as levam a recorrerem à dietas perigosas, sem nenhum fundamento nutricional e sem acompanhamento de nutricionistas, e, posteriormente, desencadear uma série de distúrbios alimentares, tais como, anorexia e bulimia, tornando a problemática ainda mais discutível.
Ademais, é imprescindível lembrar que muitos vão à procura de cirurgias estéticas, e devido a falta de dinheiro, acabam pagando por profissionais desqualificados, correndo riscos de vida e saúde, o que se torna cada vez mais evidente em nossos noticiários. Outrossim, é notório o impacto psicológico causado nessas pessoas: depressão, auto-mutilação e até casos de suicídios, são apenas algumas das consequências acarretadas pela busca de um corpo perfeito. De acordo com a filosofia kantiana, o homem tem fome de perfeição e nunca vai alcançá-la pois a perfeição só pode ser expressa na arte. Com isso, julga-se necessário desconstruir a ideia de padrão corporal, e investir na promoção da autoaceitação e amor próprio.
Dessarte, ações devem ser tomadas para intervir na problemática. Portanto, urge às mídias da moda, romper com os padrões corporais, a partir da representatividade de mulheres dos mais diversos biotipos em suas campanhas publicitárias, tendo como objetivo, a inclusão de pessoas fora do padrão imposto, fazendo elas se identificarem, se sentirem acolhidas e representadas na moda. Do mesmo modo, também cabe ao Ministério da Saúde (MS), incluir mais nutricionistas e psicólogos nas unidades de saúde pública com a finalidade de orientar quem queira ter uma dieta saudável, e também, tratar os efeitos psicológicos causados pela pressão exercida pela mídia e pela sociedade de ter que pertencer a um padrão inexistente.