O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/08/2018

Na antiguidade clássica, os gregos  não tinham uma definição clara sobre o que é beleza, associavam a outros valores. Para Platão, por exemplo, estava na sabedoria, para o Oráculo de Delfos, na justiça. Entretanto, no contexto social vigente, no Brasil, há uma intensificação do culto à padronização corporal, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética, devido à influência dos meios midiáticos.

Em primeiro plano, é relevante abordar que a problemática foi impulsionada basicamente pelo processo de massificação das mídias a partir de 1980. Pois, a televisão começou a pressionar e a  vincular imagens de  corpos magros, saudáveis, atléticos e harmoniosos como sinônimos de beleza, através das diversas formas de peças publicitárias e novelas. Dessa forma, é indubitável que  a  pressão externa exercida  pela mídia para a busca de um  “corpo ideal”- magro e alto,- sobre a sociedade é fato social, porque  conforme o pensamento de Durkheim,  possui existência na própria sociedade e não é controlada pelo indivíduo.

Por conseguinte,  o culto à beleza movimentam dentro da ótica do sistema capitalista bilhões de dólares em produtos e serviços e faz milhares de pessoas, se submeterem a dor e ao sofrimento, em centros cirúrgicos, a fim de terem o corpo desejado. Outrossim, um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde em 2013, revela que 85% das participantes disseram acreditar que existe um padrão de beleza imposto pela sociedade; 46% afirmaram que mulheres magras são mais felizes; e 55% adorariam simplesmente acordar magras, corroborando para os  77% das jovens em São Paulo apresentarem propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comer. Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário.

Destarte, a busca pelo corpo ideal é fruto do padrão imposto pela mídia. Diante disso, é fundamental que o Poder Legislativo crie uma lei que restrinja e multe  as peças publicitárias  e outros  meios midiáticos que incitam as pessoas seguirem um padrão corporal, com o intuito de evitar distúrbios alimentares, por exemplo. Ademais, é crucial que as instituições de ensino combatam esse culto, por meio da valorização da beleza a outros valores, como a sabedoria, assim como Platão, com atividades lúdicas que aumentam a  interação   dos alunos,  a fim de cessar  a busca pelo corpo perfeito. Assim, espera-se amenizar o impasse.