O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/07/2018

Objetificação do ser: um problema social

Na segunda metade do século XX, o capitalismo técnico- científico informacional passou a atuar de modo hegemônico no mundo. Como resultado, o processo de globalização foi intensificado, contribuindo para a difusão de valores ideológicos. Nesse sentido, o culto à padronização corporal no Brasil ocorre não somente devido à sociedade materialista, mas também à passividade do Estado quanto a essa questão.

Em primeiro plano, persiste a uniformização do conceito de beleza. Sob essa análise, a valorização do físico e do material pela sociedade estimula muitos a buscarem atender aos padrões ditados.Trata-se da necessidade da “autoexposição”, apontada pelo escrito Guy Deboard em “A Sociedade do Espetáculo”, em que o indivíduo precisa da ostentação e do respeito coletivo para a autoaceitação. Desse modo, aqueles que não aspiram à objetificação corporal são, muitas vezes, estigmatizados por não se apresentarem no “espetáculo” definido por Deboard.

Além disso, a população não é devidamente conscientizada sobre os impactos causados pela vaidade excessiva. Ocorre que o Estado não tem cumprido seu papel de efetuar projetos e campanhas públicas que combatam a padronização corporal e os distúrbios por ela causados na saúde física e mental. Com isso, percebe-se a violação do Contrato Social, definido por John Locke, no qual o governo tem a obrigação de zelar pelo bem estar da população. Como resultado, muitos indivíduos sofrem de transtornos mentais, como depressão e ansiedade, e alimentares- bulimia, anorexia e vigorexia.

É evidente, portanto, que a valorização de esteriótipos corporais tem comprometido o bom funcionamento da sociedade. Para atenuar o problema, o Ministério da Educação, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde, deve elaborar um programa de conscientização acerca dos males causados pela padronização corporal, realizando palestras escolares e propagandas midiáticas. Com essa medida, busca-se melhorar as relações coletivas e reduzir os danos na saúde dos cidadãos. Desse modo, o desenvolvimento socioeconômico da sociedade contemporânea poderá ser genuinamente positivo.