O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 22/07/2018
Em meio à imposição de padrões de beleza e a multiplicação dos caminhos para o mesmo, a busca infindável pelo corpo perfeito torna-se o calcanhar de Aquíles no século dos narcisos. E, nessa liquidez contemporânea, as imagens do rapaz musculoso e da moça com pernas saradas são alicerçadas por instrumentos midiáticos. Além disso, no Brasil, valores como razão e equilíbrio estão sendo substituídos por noções superficiais, e às vezes mentirosas, da realidade.
Diante do descontrole rumo ao “corpo das páginas”, emerge-se o mercado publicitário como ferramenta disseminadora de tal mal. Isto é, pressões impostas pelos anúncios, propagandas e programas televisivos que determinam padrões únicos e absolutos para as pessoas, ditando que se encaixar nessas referências é o caminho de inserção na comunidade. Nesse sentido, a partir da proliferação dessas falsas ideias, nota-se o aumento dos números do uso de anabolizantes e dos diagnósticos de doenças como anorexia e bulimia, conforme mostra uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Psicologia e Neurociências em que, de 2008 a 2017, a quantidade de casos dos transtornos envolvendo o corpo aumentou 67%. Logo, essa óptica do quarto poder, de que para ser feliz é preciso aceitar os parâmetros impostos, em pouco tempo, já trouxe consequências negativas.
Noutros termos, principalmente entre os jovens, o descontentamento com o que se vê refletido no espelho associado à cobiça de sua forma idealizada colabora para a problemática e inverte o real sentido de beleza. Assim, promovendo uma produção massiva de “Narcisos ao contrário” em plena contemporaneidade. Com isso, a humanidade que sofre de um individualismo emburrecido pela insatisfação do corpo, vive um ciclo vicioso e alienante nas “clínicas de beleza” em busca do reflexo perfeito. Nesse contexto, para Zygmund Bauman, a sociedade moderna do culto ao belo consegue tornar permanente a insatisfação. Sob essa reflexão, necessita-se de medidas autoavaliativas com a finalidade de compreensão dos pontos de partida e chegada nessa corrida pela “escultura” adequada.
Diante dos fatos mencionados, ações são essenciais para inverter esse quadro de alienação pela mídia e a inversão de princípios sociais em relação à perfeição corporal. Portanto, é necessário que o Estado supervisione, investigue e coíba certos comportamentos nas TVs e nas redes sociais, por meio do Ministério das Telecomunicações e do incentivo às denúncias anônimas, no intuito de aproximar a população ao combate dessa imposição midiática dos corpos musculosos. Ademais, as famílias dos jovens devem conscientiza-los e educa-los acerca dos perigos da procura da forma perfeita, com conversas, conselhos e exemplos, para que os mesmos não destruam suas próprias vidas por uma coisa tão banal.