O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/08/2018
A padronização da beleza acompanha a humanidade desde seu princípio, como na Grécia clássica, onde o corpo atlético era supervalorizado. Hodiernamente, entretanto, a globalização e a popularização dos meios de informação tornaram essa cobrança muito mais intensa acerca do indivíduo. Nesse contexto, há dois fatores que não devem ser negligenciados: a exclusão social sofrida pelos indivíduos considerados “fora do padrão” e a influência da mídia no fortalecimento desse padrão.
No livro, “Extraordinário” da escritora R.J Palácio, Auggie, o protagonista, sofre de uma síndrome cuja a sequela é uma severa deformidade facial, que vai, pela primeira vez, frequentar uma escola de verdade. Lá ele tem a difícil missão de lidar com a intolerância de alguns colegas quanto a sua aparência. Essa é a realidade de muitos jovens brasileiros, que apesar de, na maioria das vezes, não sofrerem com nenhuma doença, são marginalizados por seus colegas, apenas por estarem acima do peso ou por terem uma beleza diferente do padronizado pela sociedade. Este bullying, traz sérias consequências para o indivíduo, como por exemplo, o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia nervosa.
Ademais, convém frisar que a influência da mídia nesse quesito é muito grande, principalmente no que diz respeito à população mais jovem, a qual se mostra mais suscetível a influências externas por estarem em desenvolvimento físico e psicológico. Está ação, além desse impacto na vida da população mais jovem, oprime também as camadas mais baixas da sociedade, uma vez que são criadas pela elite e para a elite, lesando a população mais pobre que não consegue reproduzir esse padrão estético, devido a barreira financeira.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. É imprescindível que o ministério da educação em parceria com instituições de ensino públicas e privadas, promovam palestras educativas, ministradas por educadores afim de abordar o tema e celebrar a diversidade. Além disso, é necessário que haja uma regulamentação mais rígida no que diz respeito a propagandas, para diminuir o impacto dessas na vida das pessoas. Logo, pode-se afirmar que a pátria educadora oferece mecanismos necessários para exaltar a diversidade existente no nosso país.