O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/07/2018
No filme holywoodiano “O substituo” uma adolescente comete suicídio por não conseguir se enquadrar no padrão corporal das demais colegas e sofrer preconceitos constantes devido a isso. Tal problemática, no entanto, não se restringe à 7ª arte e alerta para as proporções que o culto à aparência no mundo contemporâneo vem tomando. Nesse contexto, o medo da rejeição e o imediatismo aparecem como principais vilões.
Em primeiro plano, vale destacar que, quando se vive em sociedade, o modo de agir e pensar do indivíduo não é controlado só por ele, mas também, por toda a consciência coletiva que estabelece os padrões a serem seguidos. Isso porque, aqueles que não se adequam sofrem com a retaliação intitulada pelo sociólogo canadense E.Goffman como estigma e, uma vez estigmatizados, são vistos como inferiores e fracassados. Assim, como no âmbito da aparência física o modelo aceito é, em geral, ser magro, com medidas proporcionais e corpo definido, todos tendem a querer alcançar esses objetivos, começando uma corrida em busca do corpo perfeito e essa pode ser prejudicial à saúde física e mental.
Além disso, outro fator que circunda o tema é a rapidez de resultados desejada por quem anseia uma relação de paz com a imagem do espelho. Essa urgência é consequência da modernidade líquida vivida hodiernamente, a qual, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, faz com que o “agora” seja superestimado e os projetos a longo prazo percam o brilho. Dessa forma, a demora na obtenção dos efeitos desejados pode levar ao desânimo, depressão e até ao suicídio, como abordado no filme. Outra consequência disso, é o uso de substâncias anabolizantes ou de procedimentos estéticos, como o hidrogel, que com o objetivo de aumentar o volume de músculos quase levou a modelo Andressa Urach à morte.
Nesse cenário, fica clara a necessidade de esforços conjuntos para lidar com o problema. Logo, urge que os sistemas midiáticos, orientem a opinião pública por meio da promoção da diversidade de tipos físicos em novelas, publicidades e programas de amplo alcance - exaltando a beleza de cada um - a fim de que os padrões sejam aos poucos desconstruídos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve dificultar o acesso aos atalhos utilizados na obtenção da boa forma física, através do aumento na fiscalização sobre a venda de substâncias destinadas à hipertrofia muscular, bem como, sobre clínicas de estética ilegais que não possuem um médico responsável, a fim de coibir essas práticas e prezar pela saúde dos usuários que, por vezes, a colocam em segundo plano.