O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/07/2018

No filme holywoodiano “O substituo” uma adolescente comete suicídio por não aguentar o bullyng que sofria devido a ter um peso acima da média das garotas da escola. Tal problemática, no entanto, não se restringe à 7 arte e alerta para as proporções que o culto à aparência no mundo contemporâneo vem tomando. Nesse contexto, o medo da rejeição e o imediatismo aparecem como principais vilões.

Em primeiro plano, vale destacar que, quando se vive em sociedade, o modo de agir e pensar do indivíduo não é controlado só por ele, mas também, por toda a consciência coletiva que estabelece os padrões a serem seguidos. Isso porque, aqueles que não se adequam sofrem com o que o sociólogo canadense E.Goffman chama de estigma e, uma vez estigmatizados, são vistos como inferiores e alvos de piadas e preconceitos. Assim, como no âmbito da aparência física o modelo aceito é, em geral, ser magro, com medidas proporcionais e corpo definido, todos tendem a querer alcançar esses objetivos, começando uma corrida em busca do corpo perfeito que pode ser prejudicial para a saúde física e mental.

Além disso, outro fator que circunda o tema é a rapidez de resultados desejada por quem anseia uma relação de paz com a imagem do espelho. Essa urgência é consequência da modernidade líquida vivida hodiernamente, que segundo o filósofo Zygmunt Bauman, faz com que tudo seja descartável e passageiro. Dessa forma, a demora na obtenção dos efeitos desejados pode levar ao desânimo, sensação de impotência e consequente depressão, ou ainda, pode tornar atraente o uso de substâncias que acelerem os processos, como anabolizantes ou procedimentos estéticos que causam desequilíbrio no organismo e podem levar à morte se usados sem os devidos cuidados.

Nesse cenário, fica clara a necessidade de esforços conjuntos para lidar com o problema. Logo, urge que os sistemas midiáticos, orientem a opinião pública por meio da promoção da diversidade de tipos físicos em novelas, publicidades e programas de amplo alcance - exaltando a beleza de cada um - a fim de que os padrões sejam aos poucos descontruídos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve dificultar o acesso aos atalhos utilizados na obtenção da boa forma física, através do aumento na fiscalização sobre a venda de substâncias destinadas à hipertrofia muscular, bem como, sobre clínicas de estética ilegais que não possuem um médico responsável, a fim de coibir essas práticas e prezar pela saúde dos usuários que, por vezes, a colocam em segundo plano.