O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/07/2018

‘‘As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental’’. O famoso verso do grande poeta brasileiro Vinicius de Morais ilustra o pensamento da maior parte da sociedade contemporânea, onde aqueles que não se encaixam nos padrões são inferiorizados. A excessiva valorização da aparência do corpo humano fomenta o preconceito e a exclusão. Nesse sentido, é válido afirmar que a influência midiática e aspectos educacionais alimentam o culto à padronização da beleza.

Convém ressaltar, a princípio, que a má formação educacional proporciona a problemática em questão. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, é no problema da educação que assenta o grande segredo de aperfeiçoamento da humanidade. As escolas brasileiras não fazem debates sobre a necessidade de aceitação da diversidade da aparência humana, valores e virtudes necessários para a vida em sociedade estão cada vez mais fragmentados devido à fragilidade do sistema educador. Em vista disso, a população passa a enxergar a diversidade como algo inferior, e dessa maneira, as pessoas que não se encaixam nos padrões se veem necessitadas a buscar alternativas para se introduzir no modelo exigido.

Somado a isso, a mídia com o seu grande poder persuasivo fundamenta esteriótipos ‘‘ideais’’ da pessoa ‘‘perfeita’’. Isso ocorre porque os interesses próprios e a imparcialidade estão acima da preocupação de ser formar uma sociedade consciente e equilibrada, já que a busca pela aparência ideal gera mercado consumidor com a venda de remédios, alimentos e produtos ‘‘milagrosos’’. Por conseguinte, gradativamente as pessoas se sentem insatisfeitas consigo mesmas e buscam se encaixar nos padrões exigidos a qualquer custo, concebendo uma sociedade alienada e provocando o sentimento de exclusão naqueles que não conseguem atingir o imposto.

Torna-se evidente, portanto, que é essencial que medidas sejam tomadas para resolver esse problema. Em razão disso, cabe às escolas combater o culto a padronização corporal, com a criação de debates e reuniões sobre a importância de aceitação pessoal e ao próximo, a fim de que as pessoas sejam educadas e formem valores e virtudes de amor próprio, satisfação pessoal e respeito às diferenças. Dessa forma, será possível ter uma sociedade equilibrada, diversificada e inclusiva.